segunda-feira, 21 de março de 2016

Recrutamento para trabalho escravo em Santarém – 1926


O Capitão Prefeito, em obediência a uma ordem telegráfica do dr. Chefe de Polícia, impediu que vários colonos, seduzidos pelo afamado Paulino Sarará e outros comparsas, seguissem para o Estado do Amazonas, onde certamente seriam vendidos como simples mercadorias.

Não podia ser outra a medida enérgica posta em prática, visto como a saída dos colonos grandes prejuízos viria causar à nossa lavoura em particular e ao município em geral.
Mas o prejuízo não seria só de Santarém; os próprios colonos, abandonando suas plantações, que lhes dão um lucro certo, embora pequeno, iam aventurar-se a um viver de sofrimentos e trabalhos excessivos nos seringais, de onde, talvez, só muito tarde poderiam resgatar as enormes dívidas que desde a passagem lhes seriam impostas.
Felizmente veio a tempo a intervenção esperada.
Resta é criar medidas que impeçam o exercício desses agenciadores, cujo fim não é senão adquirir fabulosos proventos no mister desumano de vender os seus iguais. Vender, dizemos bem, porque outro não é o negócio desses pássaros bisnaus que, agenciando homens aqui, em Manaus os passam adiante”.


NOTA: Publicado no jornal A Cidade de 20 de março de 1926.

Um comentário:

  1. Essa chaga social vem de longe. Como advogado, já tive oportunidade de atuar contra os espertos "gatos" que levavam às escondidas trabalhadores de Icoaraci para o corte de palmito na Guiana Francesa, vendendo-os como se fossem mercadoria.

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