Três ícones da
cidade de Santarém, que memorizam a beleza e os encantos da “Pérola do
Tapajós”: A Catedral da Imaculada Conceição, que representa a fé cristã trazida
pelo padre Bettendorf; o rio Tapajós e seu majestoso azul, que recebeu o nome
dos povos que aqui habitavam e o famoso “Castelo”, prédio encantador que a
ganância, o progresso e o desleixo com a memória do passado, acabaram
destruindo. Fotografia de fins da década de 1960.
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Uma imagem de Santarém em idos de 1940...
Vista de parte
da orla fluvial de Santarém, mostrando a antiga Rua João Pessoa (hoje Lameira
Bittencourt), com o casarão do Barão de Santarém em destaque e a praia que
antes havia no local hoje ocupado pela Praça do Pescador. Foto do acervo
Ignácio Neto.
Folguedo de Pássaro Junino em Fordlândia no ano de 1931
Tempos de festas
juninas eram tempos de dramatização dos folguedos pastoris. Um deles era o do
pássaro, morto por um caçador e ressuscitado pelo poder do pajé indígena. Nesta
foto podemos ver a representação de um Pássaro Junino na Vila de Fordlândia,
acompanhado por um violino (rabeca) e dois violões (ou violas) que davam, junto
com a percussão, a animação do canto pastoril.
Dança Pastoril do Boi-Bumbá na Vila de Fordlândia em 1931
O boi-bumbá (ou
bumbá-meu-boi) era uma dança típica dos negros da Amazônia. Em Santarém
acontecia desde a metade do século XIX. No ano de 1931, foi feito esse registro
deste folguedo pastoril na Vila de Fordlândia, rio Tapajós.
terça-feira, 20 de junho de 2017
Uma descrição de um holandês do século XVII sobre o povo Tapajó.
Pe. Sidney
Augusto Canto (*)
Costuma-se
dizer, inclusive nos meios acadêmicos, que a história é escrita e contada pelos
vencedores. Mas, a própria história, muitas vezes nos prega peças, ou, como
costumo dizer a meu círculo de amigos com quem compartilho essa paixão pela
pesquisa histórica, a história também é feita de surpresas...
(Aldeia dos indígenas Tapajó, na cidade de Santarém - 1828 - Desenho de Hercule Florence)
Em minhas
pesquisas sou sempre surpreendido pelos documentos que encontro que, muitas
vezes, tem colocado luz em cima de fatos obscuros ou destruído mitos. Foi assim
que, ano passado (2016), enquanto eu pesquisava sobre a Cabanagem, alguns
amigos do Rio de Janeiro e de Manaus muito me ajudaram, enviando documentação
oitocentista para minha pesquisa.
Foi aí que veio
a surpresa, no meio de farto material, um texto publicado há muitos anos, por
um holandês, chamado Pedro Moreau, cujo título denomina-se “Relação Verídica do
que se passou na Guerra do Brasil feita entre os portugueses e os holandeses,
etc.”, cuja existência me era desconhecida, até então, descrevendo em suas
páginas, a vida dos holandeses (que, vale ressaltar, perderam a guerra contra
os portugueses pela posse de terras no Brasil) e sua relação com os indígenas
Tapajó, que habitavam nossa região.
Transcrevo,
agora, como esse holandês via nossos antepassados em princípios dos anos 1600,
época das batalhas entre holandeses e portugueses por estas terras, que expõe
uma nova perspectiva e olhar sobre nossos antepassados, além daquelas clássicas
descrições que já conhecemos. Eis o texto:
Os selvagens (diz Pedro Moreau), que nada mais
presavam do que a vida ociosa... não mostram-se ingratos por este rico presente
da liberdade que lhes restituíam; ao passo que eles antes, não podendo viver em
segurança, procuravam os desertos como guarida, e tinham tal terror pelas armas
portuguesas e ao fogo produzido pelos seus mosquetes, e que sem vê-lo
causava-lhes feridas mortais, que eles desabituavam-se à conversão dos
cristãos. Enlevados, pois, de uma graça tão inesperada, eles próprios vieram
oferecer-se ao serviço de seus benfeitores que, astuciosos, os domesticavam com
pequenos presentes e ensinaram aos brasileiros o manejo das armas e a atirar
reto com eles. Mas os Tapajós, nação mais brutal, e que nus como sua mão, não
vivem senão nos bosques à maneira de vagabundos, não cuidam nunca em
acostumar-se a isso. Lançavam-se logo por terra, logo que lhes apresentavam uma
arma de fogo, levantaram-se prontamente, sem dar, às vezes, tempo de as tornar
a carregar, e unicamente traziam clavas, chatas na extremidade, fabricadas de
uma madeira rija, com as quais de um só golpe dividiam os homens em duas
partes; todavia os holandeses serviam-se mui bem de uns e de outros. Seu
exército fazia com eles maravilhosos progressos. Levavam-nos pelos lugares mais
ásperos e mais difíceis, eles mesmos levavam a nado os soldados que não ousavam
arriscar-se nos grandes rios, andavam e corriam com uma ligeireza não imitada,
pela frente, por de traz e de lado, cortavam com machados que lhes entregavam
as silvas e as densas sarças, que conservavam antes o mundo todo breve,
conduziam de dois a dois em uma maca, que é um tecido de algodão feito à
semelhança das redes de pescador, os oficiais cansados ou indispostos, e os
oficiais doentes; designavam as emboscadas, conduziam-nos a lugares em que os
inimigos fossem surpreendidos e mortos. Se era preciso bater-se em campo, os
portugueses tinham certeza de perder a vida se eles se não salvassem; porque
estes Tapajós e brasileiros encarniçados queriam mesmo matar aqueles que os
retinham prisioneiros; isso também nunca acontecia senão raras vezes, e entre
soldados em ausência dos outros.
É a história
revelando que a vida segue dinâmica, que as lutas continuam, e que resistir faz
parte do sangue tapajoara...
(*) Presbítero da Diocese de Santarém,
pároco de Fordlândia – Rio Tapajós. Pós-graduado em História da Amazônia pela
Faculdades Integradas do Tapajós – FIT. Membro fundador do Instituto Histórico
e Geográfico do Tapajós – IHGTap e da Academia de Letras e Artes de Santarém –
ALAS.
Crônica de uma viagem de Magalhães Barata pelo Baixo Amazonas em 1944
Faro, Juruti,
Oriximiná, Óbidos, Alenquer, Monte Alegre, Santarém, Prainha, Almeirim, Porto
de Moz, Gurupá, Breves, Curralinho e Muaná são os municípios deste Estado que
estão sendo visitados pelo Interventor Federal, coronel Magalhães Barata, numa
longa viagem de inspeção. Uma comitiva composta de médicos, enfermeiros e
técnicos acompanha o Chefe do Estado nessa viagem, a fim de que sejam estudados
os vários e complexos problemas dessa região e tomadas, imediatamente, as
providências que se tornam necessárias.
A pouca conhecida viagem do explorador inglês Savage Landor pelo rio Tapajós e sua estadia em Itaituba – 1911
O nosso serviço
telegráfico noticiou a chegada, à Belém, deste notável explorador inglês.
Nos jornais do
Pará encontramos as notas abaixo sobre a travessia que realizou:
Savage Landor [foto] penetrou nas matas goianas, convicto de que estava tudo bem disposto e teria
bom êxito a sua tentativa. Os animais eram, ao todo, dezesseis.
A expedição
atravessou o planalto de Mato Grosso e dirigiu-se às cabeceiras do Arinos,
origem do Tapajós.
Inaugurada a Rádio Rural Educadora de Santarém – 1964
Nos últimos dias
uma série de melhoramentos vem recebendo o nosso município, o que confirma a
posição de vanguarda que ele desfruta como líder do Baixo Amazonas. É uma
agência de Banco que se instala, uma rua que se pavimenta, um edifício colegial
que recebe radical transformação; tudo testemunha o progresso da “Pérola do
Tapajós”.
Domingo passado
a cidade e todo o interior do município, foram sacudidos por um desses
acontecimentos marcantes a que podemos denominar de grande realização – a
inauguração da “Rádio Educadora de Santarém Limitada”.
Sobre explorações minerais no Baixo Amazonas em 1853
A primeira
viagem de uma embarcação comercial a vapor entre Belém e Manaus, foi feita
entre os dias 01 de janeiro e 23 do mesmo mês, no ano de 1853, pelo vapor
“Marajó”. Uma curiosidade é que, nesta mesma primeira viagem, um dos
passageiros fazia explorações minerais em nossa região, conforme podemos ler no
registro abaixo transcrito:
Sobre a Escola da Colônia de Pescadores em Santarém – 1933
O Prefeito
Almeida, num louvável gesto em prol da instrução dos pescadores, subvenciona a
Escola Santos Dumont, da Colônia Z-11.
Por louvável
ato, que a seguir noticiamos, transcrevendo o ofício respectivo, o sr. Prefeito
Almeida vem de subvencionar a Escola Santos Dumont, da Colônia de Pescadores
Z-11.
Ei-lo:
sábado, 10 de junho de 2017
Igarapé do Irurá em Santarém, numa tarde da década de 1970
Antes de Ponta
de Pedras, antes mesmo de Alter do Chão, o balneário mais procurado pelos
santarenos nas tardes quentes de verão ou nos domingos era o Igarapé do Irurá,
louvado em letras e canções pelos santarenos, hoje agoniza, quase morto,
sufocado pelo crescimento desordenado da zona urbana. Foto do acervo Ignácio
Neto.
Cidade de Aveiro em fins do século XIX.
Uma das mais antigas
fotografias feitas da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Aveiro.
Feita pelo fotografo Horácio Silva (que fotografou o Baixo Amazonas e Tapajós
para a loja Fidanza, em Belém, em idos de 1898) ela mostra, além da Igreja
Matriz (recém-construída) várias casas na primeira rua da localidade, muitas
delas feitas de taipa de mão.
Frente do município de Alenquer na década de 1970
Outro instantâneo
de uma enchente na cidade de Alenquer na década de 1970. Mostra não somente a
cidade que observa as águas da enchente como também várias pessoas que
aproveitam as águas para seu banho. Foto cedida ao blog pelo amigo Luiz
Potyguara.
Grupo de balateiros do município de Alenquer em idos de 1960
O látex extraído
da balateira (manilkara bidentata) era um dos produtos extrativistas que
movimentavam o comércio de Alenquer na metade do século XX. Nesta foto podemos
ver um grupo de “balateiros” no serviço de extração nas matas alenquerenses.
Fotografia cedida pelo amigo Luiz Potyguara.
Porto da cidade de Alenquer em tempo de vazante dos rios
Vista das
embarcações no porto da cidade de Alenquer na época em que os rios amazônicos
estão na vazante, em idos dos anos 1970. A cidade ao fundo, tudo observa. Fotografia cedida ao blog
pelo amigo Luiz Siqueira.
sexta-feira, 9 de junho de 2017
Vista aérea de Alenquer em idos dos anos de 1970
Imagem aérea da
cidade de Alenquer feita em idos dos anos 1970, mostrando a cidade, com
destaque para a Igreja Matriz de Santo Antônio. Fotografia cedida ao blog por
Luiz Potyguara.
Vista de Alenquer durante uma enchente nos anos de 1970
Outra
perspectiva da cidade de Alenquer durante uma das enchentes que assolam com frequência
a região do Baixo Amazonas. Fotografia feita nos anos de 1970 e cedida ao blog
por Luiz Potyguara.
Sobre pesos e medidas no comércio de Santarém – 1933
Cumprindo um dispositivo
do Código de Posturas Municipais, a Prefeitura acaba de fazer rigorosa aferição
dos pesos usados pelos comerciantes desta praça.
Destes, alguns
foram pegados em falta, acusando os pesos regular diferença, com o que muito
sofre o povo – a eterna vítima desses espertalhões.
Outros, estes em
número reduzido, viram comprovadas as suas honestidades, conferindo seus pesos
com o peso aferidor.
Momento Poético: Soneto
Por Jocob Roffé
Mirando seu semblante portentoso
Nessa noite de festa tão radiante,
Fiquei na vida todo venturoso
Vendo essa formosura exuberante!
Das conquistas quisera ser triunfante,
Tendo, para mim, esse anjo tão formoso:
Dele fazendo um sonho delirante
Idílio do sublime e majestoso.
Artigo: URGENTE: criem-se mais Territórios Federais
Por J. M. Othon
Sidou
(Diretor da
Revista “Câmbio”)
Não é a primeira
vez, nem será tampouco a última em que nos manifestamos por uma redivisão
territorial do Brasil. Que nos importa que essa atitude venha a causar cócegas
aos apegados a um colonialismo à século XVI ou aos patriotas à-outrance,
estrábicos dentro de um regionalismo contra-producente?
Ideia bastante
velha, defendida já no Império pelo Marques do Paraná, que já fazia prosélitos
ao slogan dos “Estados Grandes e Estados Pequenos” quando proclamava que “para
mim é indiferente que tal Província seja grande ou pequena, o que desejo é que
a nação brasileira seja grande”, ideia madura, portanto, com ilustres e
abnegados seguidores, a ela sempre desejamos incorporar-nos, porque a
consideramos única capaz de fazer o Brasil prosperar; e quando dizemos
prosperar não aludimos ao progresso urbanista, de fachadas de arranha-céus e
ruas asfaltadas, senão ao engrandecimento das regiões mais distantes e mais
inóspitas, ricas-paupérrimas, com a vitaminização civilizadora das células
orgânicas da Pátria, que são os municípios.
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