sexta-feira, 3 de abril de 2020

Uma descrição de Alenquer em 1907


Há mesmo uma cidade que, sem disputar a primazia de Belém, poderá ser um centro riquíssimo de trabalho e produção: é a cidade de Alenquer, situada à margem de um dos furos do Amazonas, à esquerda. Fica justamente na extrema dos “Campos Gerais”, que daí se estendem até as Guianas. As matas ali se prestam perfeitamente à cultura de cereais, e os campos já são aproveitados para a criação. O gado se multiplica rapidamente. Nenhum outro ponto do vale do Amazonas é mais salubre, nem de mais futuro.

Santo Antônio de Alenquer e a enchente de 1953


Está ameaçada a Festa de Santo Antônio, padroeiro da cidade (de Alenquer), em virtude da enchente do Amazonas. A tradicional festa religiosa, que tem início a primeiro de junho e vai até o dia 13, atrai romeiros de Monte Alegre, Santarém, Óbidos, Oriximiná e Terra Santa, além de ser considerada a maior concentração de povo do Baixo Amazonas. A população está orando, pedindo a Deus que faça as águas baixarem. 

Sobre o prefeito Aricine Andrade, de Alenquer – 1947


Está em Belém, desde alguns dias, uma das figuras mais expressivas mais idealistas e cativantes do PSD, no Pará: Aricine Andrade.
Conhecemo-lo ontem, digamos assim, porque do mês derradeiro do ano passado data a primeira vez que nos encontramos. Foi quando a “Caravana da Vitória” sulcou o Rio Mar em busca dos leais caboclos, inteligentes e honestos, que lhe habitam as margens.
Em Alenquer formos encontrar um dos mais curiosos fenômenos sociais sócio-políticos que nos foi dado observar entre os municípios que percorremos: identificação quase absoluta de sua população com seu governante. E é preciso notar: estivemos frente a prefeitos estimados com exaltação por seus munícipes, como os Araújos de Óbidos e Santarém, por exemplo.

Notícias de Alenquer em 1883


Da vila de Alenquer acabamos de ter notícia por um próprio que dali veio, de que o estado sanitário em geral, era o mais satisfatório possível.
A comissão censitária, da qual é presidente o sr. A. F. Simões, recebeu, mandada pelo governo, a quantia de 1:500$000 (um conto e quinhentos mil réis) – para ser distribuída pelos que coadjuvaram os trabalhos do recenseamento da população.

Alenquer e Paulo Maranhão – 1947


O nosso correspondente em Alenquer transmitiu-nos os resultados das apurações ali feitas, por onde se observa que o major Moura Carvalho obteve 1.262 votos contra 438 dados ao sr. Zacarias Assunção. Na votação para senador, o dr. Augusto Meira recebeu 1.232 votos contra 10 dados ao sr. Paulo Maranhão. O mais expressivo é a abstenção deliberada dos eleitores das “Oposições Coligadas”, que se negaram a depositar na urna as chapas com o nome sinistro do famigerado Maranhão, votando em branco, para senador, 501 eleitores.

A enchente de 1953 e as casas que ruíram em Alenquer


Ruíram mais três casas nesta cidade, estando entre elas as das senhoras Virgilia Marques e Manuela Tavares, esta no bairro de Loanda, que é o mais alto de Alenquer. A casa “Virgem de Nazaré”, de propriedade do grande negociante Euclides Cabral, está começando a ceder, obrigando a transferência da família e das mercadorias para outros lugares. 

A estrada de Alenquer para os Campos Gerais e Alto Curuá – 1891


No dia 21 de janeiro foi solenemente inaugurado o serviço da grande estrada da cidade aos Campos Gerais e Alto Curuá, serviço que vai sendo feito por subscrição popular. Dirige os trabalhos o hábil agrimensor sr. Lourenço Couto, que com patriotismo e desinteresse associou-se a esse grande melhoramento, de magno alcance para o futuro daquela prospera cidade. Até o dia 31 de janeiro já estavam prontos 15 quilômetros de estrada adotada para passagem de carros, etc.

Primeiro juiz da Comarca de Alenquer – 1891


A população da bela cidade de Alenquer recebeu com brilhantes festas o primeiro juiz de direito daquela nova comarca, dr. Affonso Barbosa da Cunha Moreira, que ali chegou no dia 1º de fevereiro do corrente.
Recebido a bordo do paquete por grande número de cavalheiros e comissões do Partido Republicano, Intendência e outras, o ilustre magistrado e sua exma. Família desembarcaram cercados de todas as provas de consideração.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Óbidos vista do rio Amazonas em 1936



Paisagem da cidade de Óbidos, como se apresentava a cidade para um viajante que a ela chegasse, navegando pelo rio Amazonas, no ano de 1936.

Orla fluvial de Óbidos na década de 1940



Trecho da orla fluvial de Óbidos, como se apresentava a quem estivesse em uma embarcação atracada no porto da cidade na década de 1940.

Um elogio aos vencedores da revolta de 1932


O Ministro da Marinha, em nome do chefe do governo, elogiou nominalmente o capitão de fragata Alberto Lemos Bastos, capitão de corveta Alfredo Miranda Rodrigues, capitães tenentes Antonio Pojucan e Jeorge Ferreira Bondim, assim como os suboficiais, inferiores e praças sob suas ordens, os quais comandaram e tripularam os navios mercantes requisitados para o serviço militar e armados de metralhadoras, atacando e pondo a pique dois navios mercantes armados com 4 canhões de 75, tripulados pela guarnição revoltada de Óbidos, quando subiam o rio Amazonas, em frente a Itacoatiara.

Sobre a batalha fluvial de 1924


Nas proximidades do Forte de Óbidos, os revoltosos, armando em guerra o vapor fluvial “Cary”, que conduzia perto de 400 homens, atiraram-se com verdadeira loucura contra os destroyers “Sergipe” e “Mato Grosso”, que foram obrigados a repelir o ataque, metendo o navio rebelde a pique com 5 disparos. Salvaram-se os revoltosos que foi possível recolher a bordo.

A fortificação da Serra da Escama – 1907


O sr. marechal Hermes da Fonseca, Ministro da Guerra, resolveu mandar preparar a Fortificação de Óbidos, no Estado do Pará, designando o major Manoel Luiz de Mello Nunes, para desempenhar essa comissão.
Para esse fim foi contratada uma lancha automóvel.
A Fortificação de Óbidos será dotada de dois canhões Krupps de 0m,15 e oito obuzeiros de calibre 0m,28.

A um benemérito farmacêutico de Óbidos – 1927


Transcorreu ontem (5 de março), a data natalícia do distinto tenente farmacêutico Benjamin d’Acampora que, pelas suas elevadas qualidades de espírito e de coração é justamente estimado no seio de nossa sociedade.
Esse ilustre oficial, que embarcará talvez no primeiro vapor do Lloyd, para Manaus, leva enorme folha de serviços prestados à nossa população, inclusive o de ter evitado que a varíola se propagasse em Óbidos.

Sobre a Fortaleza de Óbidos em 1915


O grande Amazonas, o cuidado de fortificação do seu mais estreito passo – Óbidos, e que no passado regimen, apesar de defendido, não obstou que dois pequenos vapores peruanos zombassem dos nossos canhões, permanece, por incúria da República, no mesmo lamentável estado de perfeita carência de defesa.
A fortaleza de Óbidos, que Mallet sonhou tornar uma obra de real valor, nada vale atualmente e não serão os seus antiquados e mal localizados canhões que barrarão a entrada do grande rio.

A situação do Batalhão de Óbidos – 1913


Para satisfazer-se interesses da oligarquia dos Lemos, o 4º Batalhão de Artilharia, que estacionava em Belém, foi transferido para Óbidos, onde não há um quartel habitável, mas um velho forte em ruínas, sem acomodações.
Esse batalhão devia ter a seguinte oficialidade: um coronel, um major, três capitães, dois primeiros tenentes, quatro segundos tenentes, um médico e um farmacêutico: isso, no mínimo.

Sobre Epidemias em Santarém (parte final)

Por Sidney Augusto Canto

Em 1850 uma grande epidemia de febre amarela se manifestou em Belém. Sabedores das notícias vindas da capital, o povo se voltou para a fé no santo padroeiro católico contra as pestes: São Sebastião, bem como aos tiros dados pelos canhões. De algum modo, talvez pela falta do vetor da doença (o mosquito Aedes Aegypti), a doença não chegou à Santarém e a cidade se viu agradecida a São Sebastião, sem, contudo, lhe construir a Capela prometida.
Depois de terminada a epidemia de cólera, a febre amarela chegou entre os santarenos, manifestando-se com frequência nos anos seguintes. Em 1860, entretanto, a doença se manifestou de tal sorte que flagelou a muitas pessoas na cidade. Em seu relatório de 15 de agosto de 1860, o presidente da Província, Angelo Thomaz do Amaral, assim se manifesta sobre a epidemia:

terça-feira, 24 de março de 2020

Sobre Epidemias em Santarém (parte 02)


Por Sidney Augusto Canto

O século XIX não foi um século de muitas melhorias na saúde pública. Epidemias de doenças como a varíola, cólera e febre amarela, malária, lepra, etc. continuavam assolando o Grão-Pará, incluindo a cidade de Santarém.
A varíola, também conhecida popularmente como bexiga, causada por um vírus, foi responsável pela mortandade de grande número de pessoas na Amazônia. Diz Arthur Vianna (foto abaixo) que no início da Cabanagem (1835), uma epidemia de varíola grassou na Capital e no interior da Província deixando-a reduzida a uma situação muito precária.

Sobre Epidemias em Santarém (parte 01)


Por Sidney Augusto Canto

Nestes dias de quarentena, por conta do “corona vírus”, aproveito para fazer um breve relato de algumas coisas do passado que, muitas vezes, deixamos de aprender, fazendo com que a histeria dê lugar à prevenção, e que nossos governos deixem de investir na saúde e na educação para tratar apenas da economia, deixando a própria economia à mercê das constantes epidemias que nos afetam.

Magalhães Barata e uma história de Monte Alegre


Disse-nos inicialmente o Cel. Barata:
“Minha principal preocupação é dificultar a permanência de colonos nas cidades, extinção da continuação do latifúndio, sendo o Pará e o Amazonas os únicos Estados que podem se orgulhar por serem os únicos onde não existe o trabalho rural de “meias” (termo caboclo). Por isso, não vemos, paraenses e amazonenses, a não ser da classe média, pelo Sul. Os paupérrimos ou lavradores são persuadidos a não deixarem a terra. O Instituto Agronômico do Norte, tendo à frente o sr. Felisberto Camargo, infelizmente não tem podido fazer muito porque a ignorância ainda não foi vencida. Narremos aqui uma história absolutamente verídica passada em Monte Alegre, no Pará: