terça-feira, 18 de julho de 2017

Uma vista da Praça do Centenário, no Bairro da Aldeia

Esta fotografia da década de 1960 mostra a Praça do Centenário, no Bairro da Aldeia. Fotografia tirada a partir da torre da Igreja de São Raimundo Nonato. Acervo do IBGE.


Altar da Igreja Matriz de Boim na década de 1960

Vista interna da Igreja Matriz de Santo Inácio de Loyola, na vila de Boim, depois que o antigo altar, em madeira, foi substituído, após uma reforma, pelo aspecto que podemos ver nesta fotografia da década de 1960.




segunda-feira, 17 de julho de 2017

ARTIGO: No coração da selva paraense, Dom Tiago é um exemplo vivo do espírito missionário da Igreja

Por Gleen D. Kittler

O Bispo acabava de celebrar a missa, eram 4 e meia da manhã, e em seguida, como fazia cada madrugada, descia até o rio para benzer o barco dos pescadores. Um dos homens olhou para a correnteza e disse: “Obrigado por benzer meu bote, Dom Tiago. Sinto-me sempre mais seguro quando penso que sua benção pode salvar a minha vida”.

O Bispo sorriu. “Sua pescaria pode salvar a minha”, disse. “Procure apanhar alguma coisa hoje, sabe? Para a gente ter o que comer”.
Fitou o homem a face do Prelado um instante retribuindo o sorriso. “Está bem, seu Bispo, vou tentar”, disse, “mas se não pescar muita coisa sempre posso contar com um milagre seu”.
“Milagre já é você não afundar nessa casca de noz”, retruca o Bispo. 

Um aspecto da Rua João Pessoa na década de 1960

A antiga “Rua do Comércio” (e hoje atual Lameira Bitencourt) já teve um aspecto bem calmo e tranquilo em tempos idos, conforme podemos ver nesta fotografia onde a Farmácia do Povo domina a perspectiva.


O Banco da Borracha, em Santarém – 1948

É francamente auspiciosa a notícia que vamos transmitir aos nossos leitores. O Banco da Borracha, dentro de breves dias, começará a operar nesta praça, já estando a instalação de sua Filial, que funcionará à Rua Siqueira Campos, esquina com a Travessa 15 de Agosto, iniciada, sendo de prever que, pela primeira dezena de julho vindouro, tal aconteça.

A Abertura da Estrada de Aramanai a Santarém – 1933

Compreendendo os problemas máximos de Santarém – viação e água – e não tendo recursos suficientes para solucionar a ambos, conjuntamente, o sr. Cap. Ildefonso Almeida, D.D. Prefeito Municipal, está curando de dotar este município, o mais possível, de boas estradas de rodagem, que liguem esta cidade às colônias.

domingo, 16 de julho de 2017

A situação militar em Óbidos no ano de 1914


A Fortaleza de Óbidos
Nesta fortaleza tem sua parada o 4º batalhão de artilharia.
O Quartel do 4º Batalhão
O quartel deste corpo está situado em lugar elevado e tem à sua frente uma grande praça para seus exercícios, achando-se já alojado, apesar de ainda não estar concluído.
Na parte construída acham-se instalados: o gabinete do comando, a secretaria, a casa da ordem, a intendência, as baterias e respectivas reservas, o rancho, a arrecadação de gêneros, a cozinha e o gasômetro.

sábado, 15 de julho de 2017

Momento Poético: Modinha para violão (1867)

De Juiz uma vara me deram,
Para poder este povo mandar,
De Juiz em cartuxo tornei-me
Para livre poder cartuxar.

Pirulito que bate que bate
Pirulito que já bateu,
O Cartuxo lambe os beiços
Das Ovas que já comeu.

O Festival do dia 06 de julho de 1931

Constituindo uma nota de alta solidariedade, realizou-se no dia 06 de julho corrente o festival artístico que o bloco do Gavião Malvado ofereceu a sua exa. o sr. Prefeito Municipal, em regozijo pela sua volta a esta terra a quem tem dado o melhor dos seus esforços.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Marechal Cândido Rondon e os indígenas Pianocotos, no rio Cuminá

Em sua viagem pelo rio Cuminá, em fins da década de 1920, no município de Oriximiná, o marechal Cândido Rondon se encontrou com diversos grupos de indígenas, entre os quais os Pianocotos, registrado nesta fotografia.


A Festa de Inauguração do “Club dos Vinte e Um” no Theatro Victoria – 1931

Constituiu, sem dúvida, um acontecimento que ficará anotado em capítulo especial nos anais da vida social de Santarém, a festa levada a efeito sábado último, 11 do corrente, no Theatro Victoria, pelo “Club dos Vinte e Um”.
Desde muito cedo começou a nossa casa de espetáculos, que apresentava artística ornamentação, a encher-se dos mais representativos elementos de nossa alta sociedade.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Julho na História do Baixo Amazonas e Tapajós


01 – Circula em Santarém o primeiro número do jornal O BAIXO AMAZONAS. Iniciando sua vida como Órgão do Partido Conservador, foi um dos jornais de vida mais longa no século XIX (1872).
02 – Carta Régia dirigida ao Governador do Maranhão e Grão-Pará, mandando que se faça advertência ao Ouvidor do Pará, Antônio da Costa Coelho, pelo inconveniente desrespeito e insultos proferidos contra o jesuíta Padre Manuel Rebello, Missionário da Aldeia dos Tapajós, quando o mesmo Ouvidor esteve na dita Aldeia fazendo a devassa da morte do Padre Antônio Gomes (1706).
03 – É oficialmente instalada a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição da Vila (?) de Santarém. Neste dia toma posse seu primeiro pároco, o padre Francisco Xavier Eleutério (1757).
04 – O Presidente da Província do Grão-Pará, Soares d’Andrea, nomeia o tenente coronel Joaquim José Luiz de Sousa, como Comandante da Expedição do Baixo Amazonas. Ele deve ser reconhecido como “Primeira Autoridade” em toda a região do Alto e Baixo Amazonas, submetendo, assim, o poder das Câmaras Municipais ao do dito tenente coronel (1837).
05 – O Papa São Pio X concede os seguintes títulos: o de “Cavaleiro da Ordem Eqüestre de São Silvestre Papa” ao senhor Manoel Valentim de Oliveira Paz e o de “Cavaleiro Comendador da Ordem de São Silvestre Papa” ao senhor José Joaquim de Moraes Sarmento. Os agraciados eram santarenos quem muito ajudaram Dom Amando Bahlmann no trabalho pastoral em Santarém (1910).
06 – Por meio da Lei Estadual Nº 324 a Vila (e Comarca) de Faro (antiga aldeia dos índios Uaboys ou Jamundás) passa a ser sede de Munícipio, com território desmembrado do Município de Óbidos (1895).
07 – A pedido de Dom Amando Bahlmann, o Papa São Pio X autoriza a criação de uma Congregação Religiosa Feminina em Santarém. Com esta permissão, Dom Amando irá fundar a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, carinhosamente conhecidas em Santarém como as Irmãs do Santa Clara (1910).
08 – Após sua sagração episcopal, chega a Santarém, proveniente dos Estados Unidos, o Bispo Dom Tiago Ryan, quinto Prelado de Santarém. Foi recepcionado pelo povo, autoridades e religiosos na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, onde tomou posse no dia seguinte (1958).
09 – Após passar por uma total reforma, é reinaugurado, pelo Intendente Alexandre Rodrigues de Souza o Trapiche da cidade de Óbidos. A obra foi executada pelo governador do Estado do Pará, João Antônio Luiz Coelho, e custou 95:625$910 (noventa e cinco contos, seiscentos e vinte cinco mil, novecentos e dez réis). Neste mesmo dia, no paço municipal, é introduzido solenemente o retrato do Governador no salão nobre da Intendência (1911).
10 – Início da construção do “Hipódromo do Jóquei Clube” (sim, Santarém já teve hipódromo e também Jóquei Clube). A pista possuía 700 metros de comprimento (duas retas de 100 metros e curvas de 250 metros) por 20 metros de largura. Pelo lado interior havia o pavilhão dos juízes e pelo lado externo uma arquibancada construída para cerca de 300 pessoas (1912).
11 – Por meio de uma portaria do Governo Estadual, a Comarca de Óbidos é dividida em dois “distritos judiciários”, um na sede da Comarca e outro na Vila de Faro. Mera medida provisória, pois em menos de 20 dias a Vila de Faro seria elevada à categoria de Comarca, independente, portanto, da jurisdição de Óbidos (1892).
12 – Falece em Chicago, EUA, o Bispo Emérito de Santarém, Dom Tiago Ryan. Alguns meses antes ele havia sido diagnosticado com um câncer no intestino. Nascido em 1912, veio para Santarém em 1943. Nomeado Bispo Prelado em 1958 e eleito primeiro Bispo Diocesano em 1979, função que exerceu até se aposentar em 1985. Pessoa marcante na história de nossa região, demonstrando sempre o profundo amor por estas terras tapajônicas (2002).
13 – Inauguração do Hospital São José. Idealizado por Dom Amando Bahlmann e construído por Frei Rogério Voges. Assim se expressa um cronista da época: “Grande número de santarenos assistiram a primeira Missa na Capela do Hospital, celebrada por sua Excelência, o Revmo. Prelado. Este estabelecimento de caridade, mantido pela Prelatura, irá preencher uma grade lacuna, pois a população em caso de enfermidade, não tinha onde procurar saúde” (1930).
14 – Através do Decreto Nº 7.125 é criada a Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) em Santarém, origem do hoje 3º Batalhão de Polícia Militar (3º BPM). A instalação oficial da referida Companhia se deu a 24 de julho do mesmo ano (1970).
15 – O padre Antônio Manoel Sanches de Brito escreve um dos relatos existentes sobre a tomada do ponto cabano de Ecuipiranga pelas tropas do governo legalista do Grão-Pará (1837).
16 – Quatro especialistas americanos em hidrologia do U. S. Geological Survey – os doutores Frank C. Ames, Roy E. Ottman, Luther C. Davis e George R. Staeppler, com a cooperação do dr. Alfredo J. Bondonlos, chefe da Divisão de Geologia da Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos, no Brasil, realizam em Óbidos, PA, estudos sobre a vazão do rio Amazonas, registrando o seguinte: - por minuto: 12.960.000 metros cúbicos; - por hora: 777.600.000 metros cúbicos; - por dia: 18.662.400.000 metros cúbicos. Se toda a população atual do Brasil necessitasse da água do rio Amazonas para seu uso, tocariam 266 metros cúbicos por dia para cada pessoa (1963).
17 – A Assembleia Geral Legislativa da Capital do Império decide criar uma cadeira de língua latina na Vila de Santarém, estipulando o ordenado do referido mestre em 400$000 réis (1830).
18 – Falece em Santarém o Coronel Dr. Adriano Xavier de Oliveira Pimentel. Engenheiro Militar, serviu ao exército brasileiro na Guerra das Rosas, na Revolução Castilista (Rio Grande do Sul) e na Guerra do Paraguai. Era também jornalista e foi Deputado Federal pelo Estado do Amazonas (1907).
19 – Com a presença de Frei Francisco Goedde é inaugurado o Asilo São Vicente de Paulo, mantido pela Confraria de São Vicente de Paulo, os Vicentinos. A casa continua a funcionar nos dias de hoje, já sob os cuidados da Diocese de Santarém (1947).
20 – Após a celebração da santa missa, no elevado da praça da Catedral, é sepultado, dentro da Catedral, o corpo de Dom Tiago Ryan. A urna com seu corpo havia chegado a Santarém no dia anterior, sendo velado na Catedral, que em nenhum momento ficou vazia haja vista tantas homenagens da parte do povo da Diocese. As exéquias foram presididas por Dom Lino, contando com a presença de Dom Martinho (Bispo de Óbidos), Dom Capistrano (Bispo de Itaituba) e do clero da Diocese (2002).
21 – Circula em Santarém o primeiro número do jornal CIDADE DE SANTARÉM. Era órgão do Partido Republicano ligado ao lado “Turianista” (membros “liberais” do Partido). Entre os que escreviam o dito Jornal, destacamos: Doutor Sousa Portugal, Doutor Turiano Meira e Doutor Antônio Bastos. Era este jornal oposição ao “O BAIXO AMAZONAS” que era mantido pela ala “conservadora” do mesmo Partido Republicano (1894).
22 – Chega à Santarém um “Grupo de Trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina, com o objetivo de instalar um Campus Universitário na cidade de Santarém (1971).
23 – Nasce, em Alenquer, Fulgêncio Firmino Simões. Formado em Direito pela Faculdade de Recife, foi na política que ele mais se destacou. Ligado ao Partido Conservador liderado pelo cônego Siqueira Mendes, Fulgêncio Simões elegeu-se várias vezes deputado e senador provincial. De 1887 a 1888 foi presidente da Província de Goiás, cargo que deixou para ser presidente da Câmara Municipal de sua terra natal, posto no qual se encontrava quando foi proclamada a República e no qual foi mantido pelo novo regime, tornando-se o primeiro “intendente” de Alenquer (1856).
24 – Após passar por uma reforma geral, é reinaugurada a Capela do Cemitério de Nossa Senhora dos Mártires, obra realizada pelo prefeito Everaldo de Souza Martins (1971).
25 – Início da construção da atual Capela do “Bom Jesus”, em Óbidos. Segundo o relatório de Ferreira Penna, publicado em 1869, a dita capela: “Não está acabada e não tarda a desabar. Chegou quase a concluir-se, tendo sido feita à custa de uma subscrição dos moradores no ano de 1855 em cumprimento de promessa que fizera o povo 20 anos antes por ocasião da devastação dos cabanos. Informaram-me que já esteve coberta, mas que tiraram-lhe toda a telha e madeirame que foi aplicada em proveito particular” (1855).
26 – Deixa a cidade de Óbidos e retorna a Manaus o ator Lima Penante, encerrando uma turnê de três semanas de diversas apresentações teatrais no Teatro Bom Jesus. Durante esta turnê o ator teve uma série de desentendimentos com o pároco local, padre Nicolino José Rodrigues de Souza, que era contrário ao estado maçônico do citado ator teatral (1877).
27 – O padre José Maria da Costa Lago, natural da cidade de Óbidos, é nomeado Cônego do Cabido Metropolitano de Belém (1936).
28 – A Secretaria de Obras do Município de Santarém, durante o governo de Everaldo Martins, entrega para a população uma nova ponte sobre o Igarapé do Irurá (1971).
29 – Há 100 anos... Os Frades Menores deixam a residência na Cúria Prelatícia e se instalam em seu novo Convento. Até então, os franciscanos que haviam chegado a Santarém, desde 1907, moravam juntamente com o Bispo Prelado, Dom Amando, dividindo o espaço existente na atual Cúria Diocesana (1917).
30 – Morre no Presídio São José, em Belém, o Capitão Vicente Manuel Machado, mandante do assassinato do Padre Amândio Pantoja, que aconteceu na paróquia de Nossa Senhora da Conceição em Almeirim. Padre Amândio chegou a ser considerado pelo autor de “Vultos Notáveis do Pará”, Ricardo Borges, como o “primeiro Santo Paraense” (1863).

31 – A Empresa Telefônica de Santarém Limitada, emite edital avisando seus acionistas de sua fusão a Companhia de Telecomunicações do Pará – CONTELPA, ao mesmo tempo convocando os mesmos acionistas para comparecer no Escritório da Telefônica de Santarém para conhecer melhor as condições da referida transação (1971).

quarta-feira, 21 de junho de 2017

A Catedral, o Castelo e a beleza de um Rio Azul...


Três ícones da cidade de Santarém, que memorizam a beleza e os encantos da “Pérola do Tapajós”: A Catedral da Imaculada Conceição, que representa a fé cristã trazida pelo padre Bettendorf; o rio Tapajós e seu majestoso azul, que recebeu o nome dos povos que aqui habitavam e o famoso “Castelo”, prédio encantador que a ganância, o progresso e o desleixo com a memória do passado, acabaram destruindo. Fotografia de fins da década de 1960.

Uma imagem de Santarém em idos de 1940...



Vista de parte da orla fluvial de Santarém, mostrando a antiga Rua João Pessoa (hoje Lameira Bittencourt), com o casarão do Barão de Santarém em destaque e a praia que antes havia no local hoje ocupado pela Praça do Pescador. Foto do acervo Ignácio Neto.

Folguedo de Pássaro Junino em Fordlândia no ano de 1931



Tempos de festas juninas eram tempos de dramatização dos folguedos pastoris. Um deles era o do pássaro, morto por um caçador e ressuscitado pelo poder do pajé indígena. Nesta foto podemos ver a representação de um Pássaro Junino na Vila de Fordlândia, acompanhado por um violino (rabeca) e dois violões (ou violas) que davam, junto com a percussão, a animação do canto pastoril.

Dança Pastoril do Boi-Bumbá na Vila de Fordlândia em 1931


O boi-bumbá (ou bumbá-meu-boi) era uma dança típica dos negros da Amazônia. Em Santarém acontecia desde a metade do século XIX. No ano de 1931, foi feito esse registro deste folguedo pastoril na Vila de Fordlândia, rio Tapajós.


terça-feira, 20 de junho de 2017

Uma descrição de um holandês do século XVII sobre o povo Tapajó.

Pe. Sidney Augusto Canto (*)

Costuma-se dizer, inclusive nos meios acadêmicos, que a história é escrita e contada pelos vencedores. Mas, a própria história, muitas vezes nos prega peças, ou, como costumo dizer a meu círculo de amigos com quem compartilho essa paixão pela pesquisa histórica, a história também é feita de surpresas...

(Aldeia dos indígenas Tapajó, na cidade de Santarém - 1828 - Desenho de Hercule Florence)

Em minhas pesquisas sou sempre surpreendido pelos documentos que encontro que, muitas vezes, tem colocado luz em cima de fatos obscuros ou destruído mitos. Foi assim que, ano passado (2016), enquanto eu pesquisava sobre a Cabanagem, alguns amigos do Rio de Janeiro e de Manaus muito me ajudaram, enviando documentação oitocentista para minha pesquisa.
Foi aí que veio a surpresa, no meio de farto material, um texto publicado há muitos anos, por um holandês, chamado Pedro Moreau, cujo título denomina-se “Relação Verídica do que se passou na Guerra do Brasil feita entre os portugueses e os holandeses, etc.”, cuja existência me era desconhecida, até então, descrevendo em suas páginas, a vida dos holandeses (que, vale ressaltar, perderam a guerra contra os portugueses pela posse de terras no Brasil) e sua relação com os indígenas Tapajó, que habitavam nossa região.
Transcrevo, agora, como esse holandês via nossos antepassados em princípios dos anos 1600, época das batalhas entre holandeses e portugueses por estas terras, que expõe uma nova perspectiva e olhar sobre nossos antepassados, além daquelas clássicas descrições que já conhecemos. Eis o texto:

Os selvagens (diz Pedro Moreau), que nada mais presavam do que a vida ociosa... não mostram-se ingratos por este rico presente da liberdade que lhes restituíam; ao passo que eles antes, não podendo viver em segurança, procuravam os desertos como guarida, e tinham tal terror pelas armas portuguesas e ao fogo produzido pelos seus mosquetes, e que sem vê-lo causava-lhes feridas mortais, que eles desabituavam-se à conversão dos cristãos. Enlevados, pois, de uma graça tão inesperada, eles próprios vieram oferecer-se ao serviço de seus benfeitores que, astuciosos, os domesticavam com pequenos presentes e ensinaram aos brasileiros o manejo das armas e a atirar reto com eles. Mas os Tapajós, nação mais brutal, e que nus como sua mão, não vivem senão nos bosques à maneira de vagabundos, não cuidam nunca em acostumar-se a isso. Lançavam-se logo por terra, logo que lhes apresentavam uma arma de fogo, levantaram-se prontamente, sem dar, às vezes, tempo de as tornar a carregar, e unicamente traziam clavas, chatas na extremidade, fabricadas de uma madeira rija, com as quais de um só golpe dividiam os homens em duas partes; todavia os holandeses serviam-se mui bem de uns e de outros. Seu exército fazia com eles maravilhosos progressos. Levavam-nos pelos lugares mais ásperos e mais difíceis, eles mesmos levavam a nado os soldados que não ousavam arriscar-se nos grandes rios, andavam e corriam com uma ligeireza não imitada, pela frente, por de traz e de lado, cortavam com machados que lhes entregavam as silvas e as densas sarças, que conservavam antes o mundo todo breve, conduziam de dois a dois em uma maca, que é um tecido de algodão feito à semelhança das redes de pescador, os oficiais cansados ou indispostos, e os oficiais doentes; designavam as emboscadas, conduziam-nos a lugares em que os inimigos fossem surpreendidos e mortos. Se era preciso bater-se em campo, os portugueses tinham certeza de perder a vida se eles se não salvassem; porque estes Tapajós e brasileiros encarniçados queriam mesmo matar aqueles que os retinham prisioneiros; isso também nunca acontecia senão raras vezes, e entre soldados em ausência dos outros.

É a história revelando que a vida segue dinâmica, que as lutas continuam, e que resistir faz parte do sangue tapajoara...


(*) Presbítero da Diocese de Santarém, pároco de Fordlândia – Rio Tapajós. Pós-graduado em História da Amazônia pela Faculdades Integradas do Tapajós – FIT. Membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós – IHGTap e da Academia de Letras e Artes de Santarém – ALAS. 

Crônica de uma viagem de Magalhães Barata pelo Baixo Amazonas em 1944


Faro, Juruti, Oriximiná, Óbidos, Alenquer, Monte Alegre, Santarém, Prainha, Almeirim, Porto de Moz, Gurupá, Breves, Curralinho e Muaná são os municípios deste Estado que estão sendo visitados pelo Interventor Federal, coronel Magalhães Barata, numa longa viagem de inspeção. Uma comitiva composta de médicos, enfermeiros e técnicos acompanha o Chefe do Estado nessa viagem, a fim de que sejam estudados os vários e complexos problemas dessa região e tomadas, imediatamente, as providências que se tornam necessárias.

A pouca conhecida viagem do explorador inglês Savage Landor pelo rio Tapajós e sua estadia em Itaituba – 1911


O nosso serviço telegráfico noticiou a chegada, à Belém, deste notável explorador inglês.
Nos jornais do Pará encontramos as notas abaixo sobre a travessia que realizou:
Savage Landor [foto] penetrou nas matas goianas, convicto de que estava tudo bem disposto e teria bom êxito a sua tentativa. Os animais eram, ao todo, dezesseis.
A expedição atravessou o planalto de Mato Grosso e dirigiu-se às cabeceiras do Arinos, origem do Tapajós.

Inaugurada a Rádio Rural Educadora de Santarém – 1964


Nos últimos dias uma série de melhoramentos vem recebendo o nosso município, o que confirma a posição de vanguarda que ele desfruta como líder do Baixo Amazonas. É uma agência de Banco que se instala, uma rua que se pavimenta, um edifício colegial que recebe radical transformação; tudo testemunha o progresso da “Pérola do Tapajós”.
Domingo passado a cidade e todo o interior do município, foram sacudidos por um desses acontecimentos marcantes a que podemos denominar de grande realização – a inauguração da “Rádio Educadora de Santarém Limitada”.