quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A bela e alva Praia de Alter do Chão em 1980


No verão de 1980 assim podia ser vista a praia de alva areia junto à Vila de Alter do Chão. Particularmente, essa é a visão que tive em minha infância, quando fazíamos passeios para a então pequena vila (o que constituía uma grande aventura à parte, para quem ia pela estrada de chão). Não existiam ainda as barracas na praia. Era natureza, pura e simples...



Orla da Vila de Alter do Chão na década de 1970


Quem chegava à vila de Alter do Chão em fins da década de 1970, teria essa vista da orla da vila balneária. As mangueiras ainda subsistem até os dias de hoje. A grande quantidade de embarcações na frente da Praça da Igreja, se deve ao fato da foto ter sido tirada em um mês de julho, durante a realização do Sairé naquela localidade. Acervo ICBS.



O Arco do Sairé e a Saraipora em fins da década de 1970


Momento em que o Arco do Sairé, conduzido pela Saraipora, adentra a Barraca construída para as ladainhas do Sairé, acompanhada de juízes e mordomos conduzindo varas ornamentadas, em uma noite de julho, em fins da década de 1970, na vila de Alter do Chão. Naquela época o Sairé ainda era revestido de simplicidade popular, inclusive nas roupas usadas, diferente da pomposidade de hoje. Acervo ICBS.




A Barraca de Ladainhas do Sairé na década de 1970


Um dos lugares tradicionais do Sairé é uma pequena barraca onde ficam expostos o Arco do Sairé e a Coroa do Divino Espírito Santo e se cantam as ladainhas religiosas. Nesta foto podemos ver um aspecto desta barraca na década de 1970, quando o Sairé ainda acontecia no mês de julho e era realizado na praça da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, no centro da Vila de Alter do Chão. Acervo ICBS.



O Sairé em algumas descrições do passado...



No meu livro “Alter do Chão e Sairé: Contribuição para a História”, coloquei diversas descrições sobre o Sairé ao longo de sua história na Amazônia. Depois da publicação do livro, em 2014 (em edição já esgotada), continuamos encontrando diversas descrições interessantes, que poderão ser colocadas em uma nova edição que estamos pensando em publicar.
Vamos, para ajudar a conhecer melhor essa festa que já foi presença constante na Amazônia e, hoje, é realizado na Vila de Alter do Chão. Eis duas de várias descrições que saem, agora, do passado para serem estudas no presente. Uma observação necessária, ambas as descrições abaixo o termo é grafado com “S”, por nós respeitada.

Vejamos o Sairé na cidade de Manaus, na antiga Província do Amazonas, em um relato de Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha:

Nos bailes de estrondo de gente grande da velharia de tua adorável Manaus, antes de 1857, a orquestra era essa mesma, tendo a mais uma clarineta e um fagote ou trombone, que depois veio a música dos Educandos eliminar por não ser séria para as coisas sérias.
O poder dessa banda de música marcial de Educandos não atingiu o perímetro suburbano da velha Vila da Barra (1), onde só a viola e a rabeca davam leis aos seus pagodes, precedidos de uma ladainha cantada em latim estropiado, tendo no intervalo das polkas de pés batidos, valsas de pés arrastados, carangueiro cantado em português e dançado em círculo, a bater o chão com os pés e as mãos umas contra outras; camaleão, cantado em nheengatu e lundu, o indispensável SAIRÉ com seu cântico monótono em nheengatu entoado por três carcaças velhas e esquisita dança (2) organizada por seu séquito de homens e mulheres.
Enquanto isso se passava com gravidade fidalga dentro de casa, fora, no terreiro, dominava a república em pleno GAMBÁ (3) e BATUQUE com todos os requebros e posturas mais provocantes que imaginar se pode, que só o maxixe, quando muito, poderá imitar.

Outra descrição, feita sobre o Sairé, na antiga Província do Maranhão, em 31 de maio de 1880, por um autor não identificado e publicado no jornal O Paiz, edição 130.

Terminaram as festas populares do Divino Espírito Santo e de Santa Vitória. Estas festas, ainda aqui, se fazem conforme a antiga usança, segundo a qual coroa-se na Igreja, quinta-feira da Ascenção, a imperatriz (4), que é acompanhada de grande séquito, no qual destacam-se da sra. da sua cauda, o seu pajem, aias, etc.; estas levam salvas de prata contendo flores, das quais enchem as mãos para lhe derramarem nos vestidos, fazendo cada uma delas, e o pajem, três mesurinhas, formalidades essas que se repetem também debaixo do mastro, e em casa, antes dela tomar o seu trono, tudo isto a toque de caixa.
Na casa é que a coisa é engraçada: um tamborete e uma bandeirinha cor de rosa, seguem tudo que diz respeito à festa; e na véspera e dia, todo o povaréu acompanha um ARCO (5), a que chamam – Arco de Santa Vitória – o qual é de varas, coberto de paninhos da cor da bandeirinha, enfeitado toscamente com frutas, espelhos, bentinhos, e outras bugigangas; conduzido por três pândegos que cantam pelas ruas:

Santa Vitória Puram, Puram,
São Francisco Xavier,
Ai Jesus... Ai Jesus...
Ai Jesus... O nosso Juiz.

E de espaço em espaço fazem um “virou-virou”, que embrulham todas as devotas que vão segurando as compridas fitas, que se acham amarradas em tal ARCO, até na casa do juiz da festa, onde, entrando, vão cantando a mesma história, ao som do tamborete, e acabam por dançar o SAIRÉ (6). Terminam as festas sempre com batuque, danças, jantares e ceiatas, de que ordinariamente resultam coisas desagradáveis (7). Porém, ente ano, reinou a boa ordem constantemente em tudo a que nós assistimos.

NOTAS:
(1) Nome antigo do que hoje é a cidade de Manaus.
(2) Aqui, o Sairé ainda é visto como “canto” e “dança”, na língua geral amazônica (nheengatu).
(3) Gambá é também uma dança que existe hoje na vila de Pinhel, no rio Tapajós.
(4) No rio Tapajós, na comunidade de Parauá, ainda existe hoje, por ocasião da festa do Divino Espírito Santo, a coroação do imperador (ou imperatriz) da festa. Antigamente o Sairé acompanhava essas festividades pelo interior da Amazônia também.
(5) O arco é dedicado a uma santa, aqui, no caso, Nossa Senhora da Vitória, fortalecendo-se a ideia de sua origem na catequese católica.
(6) No interior do Maranhão, assim como em várias comunidades da Amazônia, o Sairé ainda era, naquele ano, uma dança das Festividades Católicas.
(7) O principal motivo da proibição do Sairé pelos padres, no século XX, foi o que já se registrava nas crônicas, os excessos causados, principalmente, pelo consumo de bebidas alcóolicas.
FOTO: A Sairaipora e o Sairé, em Alter do Chão, no início da década de 1980. Acervo ICBS.  

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A Orla e a Praia de Santarém em fins dos anos 1950


Um belo registro fotográfico da orla fluvial de Santarém em fins da década de 1950. Em destaque o famoso “caisinho”, obra do século XIX que avançou os anos, até a construção da Avenida Tapajós, duas décadas depois. Em época de verão, a areia branca da praia dominava a frente da cidade, dando-lhe o ar de verdadeira Pérola do Tapajós. Fotografia cedida ao blog pela senhora Eunice Corrêa.



O porto e a praia do Iate Clube de Santarém


Em fins da década de 1970, o porto do Iate Clube de Santarém era uma simples rampa de madeira que dava acesso ao Rio Tapajós. A fotografia registrada em um dia de verão, mostra a alva praia do Iate Clube. Ao fundo pode-se ver as praias do Maracanã e parte da praia do Juá e Maria José. Acervo ICBS.




Visita do Núncio Apostólico a Santarém em 1966



No dia 20 de março de 1966, chega a Santarém Dom Sebastião Baggio, Núncio Apostólico, acompanhado do arcebispo de Belém, Dom Alberto Gaudêncio Ramos. O Núncio foi recepcionado por Dom Tiago Ryan e pelas autoridades locais. Estas duas fotos registram o momento em que o Núncio fala ao povo, em frente da Catedral de Santarém.

Momento Poético: Na Cidade e no Campo


Por padre Manuel Rebouças Albuquerque

Numa cidade... Tive fome, um dia,
E estava sem dinheiro... Deparei
Soberbo palacete, onde esplendia
A festa, o luxo... Era o solar de um rei...

Pedi comida... E o cara do vigia,
De olhar vesgo me olhou... E vi que a lei
Era expulsar da porta quem pedia...
– Sofri, mas, altaneiro, não chorei!...

No campo... Tive fome, e, com dinheiro,
Eu quis comprar comida, e o bom roceiro
De graça me fartou, risonho e nobre!...

Lembro o contraste, e meditando eu fico:
– Ai, como é pobre, com dinheiro o rico!...
– Ai, como é rico, sem dinheiro o pobre!...

O Prefeito de Monte Alegre que foi estudar nos Estados Unidos – 1944


A decisão de um prefeito brasileiro – o dr. Eduardo Pinheiro, de Monte Alegre, Pará – de estudar, durante quinze meses, as práticas agrícolas dos Estados Unidos, foi saudada como “um exemplo inspirador”, pela revista “USDA”, publicação do Departamento de Agricultura.
Médico, atualmente com 32 anos, Eduardo Pinheiro veio aos Estados Unidos estudar o controle da malária, sob os auspícios do Departamento de Estado. Em seguida, dedicou todo um ano ao estudo das práticas agrícolas, dos métodos de extensão do ensino e de programas de saúde rural, com uma bolsa de estudos concedida pelo Instituto de Negócios Americanos.

Uma descrição da Comarca de Santarém em 1843


Na comarca do Baixo Amazonas existem as populosas vilas de Santarém e de Óbidos: esta tem por comandante militar o major João da Gama Lobo Bentes, que é igualmente comandante do batalhão da guarda policial desse município; e aquela, que serve de cabeça à comarca, tem um batalhão da guarda policial, do qual é comandante o major Joaquim Rodrigues dos Santos, que guarnece o município; aí (em Santarém) tem residência o comandante militar do Amazonas, que é o coronel graduado Manoel Muniz Tavares, e está estacionado o 4º Batalhão de Caçadores de Linha, do comando do dito coronel. À margem esquerda do Amazonas, próximo a Óbidos, está um pequeno forte, de há muito abandonado, que guardava a boca do interessante rio Trombetas. Em Santarém, uma fortaleza que domina a vila, apenas serve atualmente de prisão militar.

domingo, 9 de setembro de 2018

Igreja Matriz de Santa Ana, padroeira de Itaituba


Foto de uma celebração eucarística no interior da Matriz de Santa Ana, paróquia de Itaituba, presidida por Dom Lino Vombömmel, então Bispo Coadjutor de Santarém, no ano de 1983.



Turma de Primeira Eucaristia em Belterra


Registro de uma turma de Primeira Eucaristia, na Paróquia de Santo Antônio, em Belterra em frente da Casa Paroquial, em fins dos anos 1950. Junto com as crianças, Frei Osmundo Menges aparece na foto.



sábado, 8 de setembro de 2018

A Rua do Imperador e a Vila Farias, em Santarém


Uma visão da “Rua do Imperador”, homenagem da Municipalidade a Dom Pedro II. Pode-se ver, em primeiro plano, as casas da “Vila Farias” e parte da Praça Barão de Santarém, onde se localizava a então Prefeitura Municipal (hoje Centro Cultural João Fona). Acervo do ICBS.




A capela de Nossa Senhora das Graças, em Santarém


Em fins da década de 1970, quando foi tirada esta fotografia, assim se apresentava a capela de Nossa Senhora da Graças. Perceba-se que, naquela ocasião, a Avenida Borges Leal ainda não era asfaltada.



A Rainha do Rádio Mocorongo em 1966


Aconteceu na noite de domingo, dia 02 de outubro, no palco auditório da Rádio Clube de Santarém, a coroação da “Rainha do Rádio Mocorongo” 1966, senhorita Maria das Graças Diniz, e respectiva princesa, senhorita Lucinda Maria Teixeira, concurso este patrocinado pelo “Guaraná Saci”.

O Campeonato “Vereador Alfredo Lavor” no Irurama


Na colônia Irurama, defrontaram-se sábado atrasado, dia 24 de setembro p.p.; em disputa da taça “Vereador Alfredo Lavor”, as valorosas equipes de “São Benedito” do rio Ituqui, “Santo Antônio” da colônia Irurama e “São Braz”, da colônia de mesmo nome.
O 1º jogo realizou-se entre o “Santo Antônio” e “São Benedito”, saindo vencedor o “São Benedito”, por 1X0, gol feito por Beni.

Os Porcos na Praça em Santarém – 1967


Continua a Praça dr. Waldomiro Rodrigues dos Santos, na parte fronteira aos Mercados, onde se realizam as feiras, a servir de chiqueiro ao bando de suínos que, diariamente, por ali passam, fuçando, grunhindo, amando e procriando, sem que a fiscalização ponha, ou ao menos tente por, cobro à “porcaria”.

Trabalho nas “valas” da Vila de Boim, no rio Tapajós


No início dos anos 1980, as valas provocadas pelas águas pluviais, ameaçavam a icônica Igreja Matriz de Santo Inácio de Loyola. Nesta fotografia podemos ver o maquinário da Prefeitura Municipal de Santarém realizando trabalho de aterramento das valas, na gestão do então prefeito Ronan Liberal. Pode-se ver, além da Matriz, o Salão Paroquial e o antigo Coreto. Fotografia cedida ao blog pela senhora Neide Lira.



Grupo Escolar Antônio Figueira em Vila Curuai


Fotografia da década de 1970, mostra o Grupo Escolar Antônio Figueira no seu clássico prédio, com suas linhas arquitetônicas originais, que hoje já foram perdidas depois das reformas acontecidas. Na foto também se pode ver Frei Gilberto Wood, então pároco da Vila.