segunda-feira, 25 de maio de 2020

A devoção obidense ao Bom Jesus


Por Pe. Sidney Augusto Canto

A devoção ao Bom Jesus é muito comum no Pará. Existem relatos de sua existência em Belém, Vigia (Bom Jesus dos Passos), Cametá (Bom Jesus dos Aflitos), São Caetano de Odivelas (Bom Jesus dos Navegantes), Monte Alegre e também na nossa querida cidade de Óbidos.
Sabemos que duas capelas dedicadas a Bom Jesus ornam a história de Óbidos. E as duas construções se confundem, por vezes, nos relatos históricos. Vejamos o que alguns textos do passado nos dizem a respeito de ambas.

domingo, 24 de maio de 2020

Arbitrariedades na Fordlândia em 1930


Mais uma vez temos sido procurados por pessoas vindas de Boa Vista, que nos vem relatar fatos ali ocorridos, os quais, uma vez apurados e provados, reclamam uma séria intervenção dos poderes competentes do Estado. Pondo de quarentene, todavia, as informações que nos são trazidas pelo fato de não querermos ser veículo de falsas notícias, temos nos obstado a registrá-las, mesmo porque, sem prova bastante, ninguém há que, sem boa intenção ouse fazê-lo.
Acontecendo, porém, encrudescerem as queixas e reclamações das sedizentes vítimas das arbitrariedades boa-vistenses, não achamos justo deixar de registrá-las agora, o que fazemos com a necessária reserva.

Sobre o Grupo Escolar de Santarém em 1930


A deficiência do edifício em que se acha instalado o nosso Grupo Escolar, como bem acentuou o sr. dr. Arnaldo Moraes na recente visita que fez ao conceituado estabelecimento de instrução primária, é um fato de todos conhecido, que está pedindo as vistas do governo do Estado.
De feito, impróprio a todas as exigências da pedagogia moderna, inadequado por sua antiquada construção e acanhados compartimentos, a convivência diária de cerca de quatrocentas crianças que procuram nas luzes do alfabeto um futuro promissor, o prédio do Grupo Escolar não está em ajuste com o fim a que se vem ele destinando, de vez que foge a todos os requisitos exigidos para uma casa de ensino onde se aglomeram diariamente inúmeros estudantes.

Sobre o alistamento eleitoral em 1930


O sr. coronel Intendente do município desejando elevar ao máximo o valor eleitoral de Santarém, determinou continuassem a funcionar ativamente as comissões incumbidas do alistamento.
De fato, é ridículo para nós, com um grande município, cuja população passa de 50 mil almas, figurarmos na lista geral do Estado com um número de 1.900 eleitores, enquanto outras comarcas menores apresentam 3 e 4 mil votantes.

Uma carta procedente de Fordlândia em 1930


COMPANHEIRO – Recebi tua carta.
Felizmente estou bem, ganhando a boia e 6.000 réis de jorua.
Todos os dias peço a Deus que se compadeça de mim, porque se adoecer, nada ganharei e, o hospital daqui é o terror dos vivos. Os médicos são bons, mas se confiam muito nos enfermeiros.
E ainda mais que, apesar da Companhia manter uma secção de saneamento, ultimamente tem aparecido diversos casos de beri-beri; e dizem que tal doença era, até então, desconhecida nesta zona. Afirmam os experientes que é o efeito do arroz mal cozido e distribuído na alimentação do pessoal.

A cultura do algodão no município de Santarém em 1929


Outrora, apaixonado pelo plantio do algodão, hoje, modesto observador do desenvolvimento de sua cultura neste município, cuja melhoria acompanhamos com interesse, não nos podemos furtar de exteriorizar a nossa grande satisfação por ver que o algodão de Santarém alcança um grau de destaque bem apreciável.
Anos atrás, a cultura dessa malvácea era aqui empiricamente feita pelos meios os mais rotineiros. Mesclado, havendo uma variedade desuniforme de tipos, era feito o plantio sem orientação e sem nenhum conhecimento cultural, trazendo ao lavrador, em consequência, muitas vezes, fracasso à quantidade, à qualidade e ao rendimento.

Notícias do Fórum de Justiça em Santarém – 1930


Terminarão, a 06 de janeiro do corrente, as férias forenses, devendo o dr. Juiz de Direito dar a sua primeira audiência ordinária no dia 11 do corrente.
Consta-nos que vão ser tomadas providências para o prosseguimento das diversas ações criminais que, por justos motivos, não se concluíram no ano findo, como também para o encerramento de todos os menores recolhidos em casas de famílias desta cidade para melhor fiscalização de sua conduta e tratamento.

Festa de São Sebastião em 1930


Não havendo diretoria formada para efetuar a festa de São Sebastião, neste ano, o sr. vigário da paróquia organizou uma comissão que vai se incumbir das homenagens a serem prestadas ao santo orago da Prainha.
A referida Comissão é a seguinte: Frei Ambrósio, vigário da paróquia; d. Martinha Gentil, senhores Antônio Carvalho, Geraldo Alho e José Cardoso da Silva.

Sobre as Escolas de Santarém em 1929


De acordo com a proposta aprovada pelo Conselho Municipal em sua última reunião, o sr. coronel Intendente baixou um ato sob Nº 08, em data de 16 deste mês, denominando Escola Antônio Braga a dirigida pelo professor Antônio Carvalho; Escola José Rodrigues a dirigida pelo professor José Virginio da Motta; Escola Rosa Passos a dirigida pela professora Anna Corrêa de Miranda e Escola Professor Sarmento a dirigida pela professora Carmelita Rodrigues dos Santos.

O “Ferrolho” da Matriz de Santarém


Há muitos anos os habitués da nossa Matriz, vem notando que um lado da porta principal esquerda de entrada na Igreja, mesmo nas grandes solenidades, se conserva sempre fechado, assim como quem tem saudades de gesto idêntico, que marcou por longo tempo, o desgosto da Santa Sé pela contenda, felizmente em boa hora resolvida (e aqui já festejada) com o governo italiano. Mas o caso é outro ao que sabemos, devido a argucia do nosso cândido Saulo (cá de casa).

Sobre a “Lei Seca” em Fordlândia – 1929


Domingo último, passou pelo porto desta cidade, de volta da Fordlândia, o vapor “Miguel Bittar” que, fretado pelos industriais Ford, ali fora levar mais uma partida de materiais. A chegada desse naviu ali foi como um Maná do Céu!...
Os “secos a força” ocuparam o navio, e o botequim virou... a seco, embora levasse farta provisão de... óleos, etc.

sábado, 23 de maio de 2020

Sobre o “Lyceu Obidense”


Segundo comunicação que nos foi feita pelo sr. dr. Modesto Costa, juiz substituto de Óbidos, a 07 de janeiro vindouro inaugurar-se-á ali uma casa de instrução primária e secundária, sob a sua direção e tendo como professores os srs. Drs. Braulino Carvalho, Barão do Solimões, Lívio César, Augusto Amarante, prof. José Nunes, Barroso Tostes e as normalistas d.d. Perpétua Figueira e Cacilda Pinheiro.

Chegada de Dom Eduardo Herberhold a Santarém – 1928


No paquete “Duque de Caxias”, entrado em nosso porto à noite de 09 de setembro do corrente, chegou a esta cidade, procedente da Bahia, o revmo. Sr. D. Eduardo Herberhold, recentemente sagrado bispo-prelado auxiliar desta Prelazia.
Em virtude da hora avançada da chegada do navio, deixou de ser prestada ao ilustre antistite a recepção condiga que lhe estava preparada. Entretanto, após a missa que D. Eduardo oficiou pela manhã de 10, na Catedral, recebeu s. revma. os cumprimentos das principais autoridades e pessoas gradas do nosso meio, tomando parte na manifestação inúmeras crianças das escolas públicas e particulares, que cantaram hinos sacros.

Um editorial sobre Frei Ambrósio Philipsemburg


Qual destemido batalhador que refeito de forças volve às fileiras do combate, regressou a Santarém Frei Ambrósio, o incansável disciplinador da mocidade, o sacerdote de iniciativa a cujos esforços algumas centenas de meninos e de homens devem o que sabem.
Longos anos de sua vida útil e trabalhosa deu-nos frei Ambrósio ao desenvolvimento da instrução entre a infância masculina de nossa terra.

domingo, 10 de maio de 2020

Altar preparado para o Mês de Maio em Óbidos



Localizado em uma das paredes laterais da nave central da Igreja Matriz da Paróquia de Santa Ana, em Óbidos, o altar dedicado a Nossa Senhora de Lourdes recebia especial decoração para o “Mês de Maio”, conforme podemos ver nesta foto da década de 1950. Foto cedida ao blog pela amiga professora “Ida” Marinho.

Coroação de Nossa Senhora na Matriz de Óbidos



Um grupo de crianças realiza a cerimônia de “Coroação de Nossa Senhora”, realizada possivelmente na década de 1960, diante do principal altar da Igreja Matriz de Santa Ana, em Óbidos. Foto cedida ao blog pela amiga professora “Ida” Marinho.

Homenagem a Nossa Senhora nas Santas Missões em Óbidos



Realizada em 1953, a primeira das Santas Missões Populares, pregadas pelos padres Redentoristas, na Paróquia de Santa Ana, em Óbidos, teve um momento de homenagem a Nossa Senhora, feita pelas mulheres, que carregavam solenemente em procissão o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Foto cedida ao blog pela amiga professora “Ida” Marinho.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

A honestidade do major Veloso em Santarém – 1956


Na rebelião de Jacareacanga, o major Haroldo Veloso desceu em Santarém, a mais próspera cidade do Baixo Amazonas, encheu o aeroporto de tambores de óleo e ficou entrincheirado lá. Mesmo assim, o repórter Oswaldo Mendes, hoje diretor da Mendes Publicidade, saiu de Belém, em um teco-teco, conseguiu descer e foi para a cidade.
Santarém tinha três agências bancárias: Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Caixa Econômica Federal. Os gerentes ficaram em pânico, com medo de o major mandar requisitar os depósitos. Cada um dos três imaginou logo uma solução que pareceu genial: tirar o dinheiro e depositar na agência do outro, para afastar a responsabilidade das próprias costas. Só que se encontraram no meio da rua e o plano tríplice fracassou.

Exploração de ouro pelos indígenas no rio Tapajós em 1928


No Alto Tapajós, nas situações remansosas, onde a correnteza é quase nula e a profundidade maior, os índios recolhem em cabaças as areias do leito do rio e, após lavagens sucessivas, apuram pequenas camadas de palhetas de ouro e ouro em pó. Os mamelucos, acondicionando esse ouro em pequenos canudos de bambu, do peso aproximado de 2 quilos, fazem a “barganha” na cidade de Santarém e vila de Itaituba, por aguardente, farinha, açúcar e outros gêneros.

Sobre a estrada de Santarém a Cuiabá em 1891


O Governador do Estado (do Pará), o sr. Dr. Justo Chermont, acendendo o pedido que lhe fez o Governador do Estado de Mato Grosso, o sr. general Antônio Coelho, decretou a construção de uma estrada de rodagem de Itaituba ou Santarém à Cuiabá, abrindo concorrência por seis meses, para os trabalhos da construção.
Cada Estado pagará as despesas dos trabalhos compreendidos no seu território.
Esta estrada dará vigoroso impulso às comunicações daqueles dois Estados e será o início para a construção de uma estrada de ferro.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Impressão de uma viagem aérea a Santarém em 1942


Por Alfredo Horcades

As impressões colhidas não admitem divagações, documentos exuberantes, próprios, em verdade, para estudos e ensaios. Aqui fala apenas o jornalista, dizendo o que viu em tela, sem tirar conclusões imediatas. Santarém merece as honras de uma visita demorada. É uma cidade de fisionomia agradável e o Tapajós, que a banha copiosamente, tem ali um limpo colorido verde, bem diferente do sombreado barrento que adquire mais ao longe, quando se aproxima do litoral. Os 9 passageiros do avião e os seus quatro tripulantes desceram em Santarém para fumar, o que é proibido à bordo. 

Momento Poético: Arte Poética


Por Rui Guilherme Barata

Ah! O ofício, as contorções da esfera,
– entre a aurora e a madrugada!
O litúrgico olhar abre cortinas,
O anjo adormeceu, dansa arbitrária
A minha barba de duzentos anos.
Quem poderá restituir-me intacto ao mistério
Com o perfume da rosa não tocada?
Quem senão tu cântaro e fonte,
Morada, terra e pátria onde se esconde
A negra cicatriz que o peito ostenta?
Por isso vivo – entre a aurora e a madrugada;
Para que salves ou lances no infortúnio
O litúrgico olhar que em nova esfera
Apodrece sob um sol de desespero. 

Chuvas torrenciais em Monte Alegre 1953


MONTE ALEGRE. Além da inundação do Amazonas, que continua provocando danos irreparáveis, chove torrencialmente nesta cidade, produzindo enxurradas que danificam as ruas ainda não atingidas pela enchente. Algumas residências do bairro alto desabaram, agravando a situação local, pois a Prefeitura não dispõe de recursos suficientes para atender às vítimas da enchente e mais as da chuva. 

Notícia das fontes termais de Monte Alegre em 1876


Procurando, porém, ir até onde não foi o governo, a esse respeito posso noticiar pelo menos a existência de uma interessante fonte de águas termais na Província do Pará, que foi até visitada por pessoa de mérito científico, que graciosamente ministrou-me ligeira notícia sobre ela.
Devo o seu conhecimento à informação do sr. Dr. Silva Coutinho, distinto engenheiro, cujo nome é conhecido por todos quantos prezam as glórias do país. Esta fonte foi estudada por ele na Província do Pará.

Sobre a operação das Forças Armadas no Tapajós em 1969


Encerrada a “Operação Mocorongo”. Com as manobras conjuntas da Marinha, Exército e Aeronáutica, foi vencido, em Belterra, o último reduto “rebelde”, encerrando a “Operação Mocorongo” que está sendo desenvolvida na Amazônia. Essas manobras tiveram lugar ao longo do rio Tapajós, nas cidades de Santarém, Belterra, São José, Morada Nova, Aveiros, Itaituba e Jacareacanga, possibilitando um entrosamento perfeito das Forças Armadas.

domingo, 3 de maio de 2020

Momentos da “Semana de Santarém” no Teatro da Paz



Nestas imagens podemos ver alguns dos momentos da “Semana de Santarém”, realizada no ano de 1972, nas dependências do Teatro da Paz, em Belém. Fotos do acervo familiar de Ednmar da Costa Machado. 

Imagens aéreas do Centro de Formação Emaús



Algumas imagens aéreas do Centro de Formação Emaús feitas na década de 1960. Antiga propriedade dos Irmãos de Santa Cruz, hoje é um Centro de Formação da Arquidiocese de Santarém.

Imagens internas do Seminário São Pio X



Nestas cinco fotografias podemos ver como era o interior do Seminário São Pio X, em Santarém, como ele se apresentava no ano de 1962, logo após a sua inauguração.

Paróquia de Belterra na década de 1940



Conjunto paroquial de Belterra na década de 1940, vendo-se, em destaque, a Igreja Matriz de Santo Antônio, bem como a Casa Paroquial (onde residiam os frades franciscanos) e o Salão Paroquial.

Vila de operários em Belterra na década de 1940



Grupo de casas para operários das plantações de Belterra na década de 1940. Uma das raras fotos das construções ainda em palha, antes de serem substituídas pelas construções em madeira.

sábado, 2 de maio de 2020

Trabalhadores de Belterra em 1940



Grupo de trabalhadores das plantações da Companhia Ford em Belterra, ouvido o discurso do presidente Getúlio Vargas quando de sua visita àquela localidade em outubro de 1940.

Notícias do Folclore no rio Tapajós no ano de 1971


Ainda no Pará, foi instalado, em agosto, o Centro de Preservação do Folclore de Alter do Chão, município de Santarém, à margem do Tapajós. O centro é apenas um ponto de referência da vigorosa empreitada do Projeto Rondon na preservação de nossos costumes e das tradições populares.
Realizou-se também o I Festival Folclórico de Fordlândia, ainda no município de Santarém, dele participando grupos folclóricos de Fordlândia e das localidades vizinhas: Belterra, Aveiro, Daniel de Carvalho e Brasília Legal. Foram apresentados: a dança “Desfeiteira”, de Daniel de Carvalho; o “Vundun” [sic] de Belterra; o “Boi Carinhoso” e a dança do “Chote dos Seringueiros”.

Visita de Getúlio Vargas em Belterra 1940


Na Fordlândia o Presidente da República tem sido alvo de carinhosas manifestações da população radicada ali, cuja grande maioria trabalha na plantação de seringais. Ontem, durante toda a tarde, o Presidente da República percorreu as terras da Empresa Ford. Cerca de dois milhões de seringais, racionalmente plantados, povoam toda a região. Belterra, ou melhor “Bella Terra”, pertence ao município de Santarém. Cerca de 7.000 almas povoam a região. Bel Terra possui um hospital, grupos escolares, cinemas, luz própria e água encanada. Após o almoço, o Presidente da República, em companhia de representantes da Cia. Ford, visitou o hospital, percorrendo-o demoradamente. Em seguida assistiu duas interessantes demonstrações referentes ao plantio da árvore da borracha e enxertos. O representante da Cia. Ford reuniu no campo experimental todos os trabalhadores, fazendo carinhosa manifestação ao Presidente da República. Logo depois o chefe da nação inaugurou o Campo de Esportes para os jogadores de Belterra. O presidente Vargas levantou voo daqui com destino a Manaus, onde deverá chegar às 11h30. 

Produção de seringa em Belterra – 1951


O Banco da Amazônia e o Instituto Agronômico estabeleceram uma colaboração mais íntima, indispensável para conjurar a crise da borracha. Ambas as entidades concordaram com o único caminho certo para o caso: intensificar o plantio de seringueiras. Estas, porém, levam sete anos para começar a produzir, de modo que a solução para o momento ainda não é essa.

A exploração da borracha em Belterra – 1952


Notícias de Belterra, onde se encontram os técnicos da FAO, revelam que os mesmos ficaram entusiasmados com os trabalhos ali desenvolvidos pelo Instituto Agronômico do Norte. Mais de 500.000 seringueiras, em idade de corte, ainda não foram sangradas por falta de braços, atribuindo-se a escassez de mão de obra aos baixos salários pagam pelo Instituto. Foram examinados quilômetros e quilômetros de seringueiras em ótimas condições.

Uma “Inauguração de Rua” no município de Aveiro



Na foto de inauguração do calçamento da principal rua da sede municipal de Aveiro estão presentes o deputado Paulo Lisboa, que alocou os recursos por emenda parlamentar e o prefeito Leon Bouillet, durante o seu primeiro mandato como gestor daquele município. Foto do acervo familiar de Paulo Lisboa.

Travessa Silva Jardim em 1976



Cortando a lateral da Praça do Centenário e da Igreja Matriz de São Raimundo Nonato, no bairro da Aldeia, assim se mostrava a travessa Silva Jardim em meados da década de 1970.

Praça e Matriz de Oriximiná em 1976



Vista da Praça e da Igreja Matriz de Santo Antônio, padroeiro da cidade de Oriximiná, podendo-se ver também o coreto central e a calçada de passeio daquele logradouro.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

O Drama de Belterra em 1965


O mato crescendo nos seringais improdutivos, onde pelo menos um dos 1.239 funcionários que ainda agora vivem na região, recebendo total superior a um bilhão e meio por ano, só trabalhou nove horas em todo o exercício passado; as construções arruinadas, tratores e automóveis abandonados ao tempo – eis o deplorável aspecto que o viajante depara hoje em Belterra. A usina de beneficiamento de látex está reduzida a um montão de sucata. E toda a produção deste centro, que foi um dia a esperança de Henry Ford e hoje é um símbolo de desastre governamental, mal atinge 318 toneladas de borracha centrifugada, de qualidade contestável.

A situação de Belterra e Fordlândia em 1950


A Companhia Ford do Brasil desistindo dos seus planos de cultura da seringueira na Amazônia, região que produz o melhor látex do mundo, cedeu ao Governo Brasileiro as duas propriedades e instalações que, em 1928, iniciara no Estado do Pará. Fordlândia e Belterra são, hoje, duas cidades modernas. Naquela (Fordlândia), as plantações de seringueiras estão sendo substituídas por outras culturas e, também, pela pecuária. Em Belterra o trabalho prossegue tendo como base a “HEVEA”, de que há 2 milhões e meio de exemplares, todos de dupla enxertia. Esses núcleos são superintendidos pelo Instituto Agronômico do Norte que se dedica ao estudo da árvore da borracha, à cultura do arroz, timbó, juta e sementes oleaginosas.

Um retrato de Belterra em 1955


Tive também ensejo de manifestar a decepção que nos proporcionara a visita feita a Belterra, onde inúmeros brasileiros passavam fome, abandonados pelos poderes públicos. Tão triste a situação desses patrícios perdidos naquele inferno verde que não tivemos coragem de levar até o fim o regabofe que nos foi oferecido pela administração de Belterra. Repugnara-nos comer peru e outras iguarias diante daquela gente cujas vísceras se contorciam por falta de trabalho, já que não recebiam alimentos para a faina que lhe é própria. Não era um Tântalo que tínhamos diante das nossas vistas, mas centenas deles, cada qual mais esquálido e esfaimado. 

A compra de Belterra e Fordlândia


O governo vai comprar a “Fordlândia” por 250 mil dólares, ou seja, em moeda nacional, cinco milhões de cruzeiros, o que representa cinco por cento do valor atribuído pela avaliação procedida pelo diretor do Instituto Agronômico do Norte, o qual verificou o valor comercial daquele patrimônio em mais de 93 milhões de cruzeiros, em outubro de 1944.
A Companhia Ford, segundo dados divulgados, empregou na Fordlândia e na Belterra mais de 155 milhões e quinhentos mil cruzeiros, calculando-se que teve um prejuízo de mais de 67 milhões. Em Belterra existem mais de 3 milhões de seringueiras formadas por dupla enxertia.

domingo, 19 de abril de 2020

Missão Cururu – construção na década de 1950



Nestas duas fotos podemos ver um grupo de indígenas mundurucus da Missão de São Francisco do Cururu, realizando um trabalho de construção em fins da década de 1950.

Missão Cururu – pescaria na década de 1950



Grupo de indígenas, acompanhado de um missionário da Ordem Franciscana, em um dia de pescaria, em fotografia de fins da década de 1950.

Missão Cururu – grupo de indígenas na década de 1950



Grupo de indígenas da Missão de São Francisco do Cururu, recepcionando militares da aeronáutica após pouso na pista da Missão, em fins da década de 1950.

Missão Cururu – mulheres indígenas na década de 1950



Um grupo de mulheres indígenas mundurucus da Missão de São Francisco do Cururu, em fotografia de fins da década de 1950.

domingo, 5 de abril de 2020

Desembarque das máquinas do DER em Santarém



Desembarque do maquinário do Departamento de Estradas de Rodagem – DER do Pará no antigo Trapiche Municipal de Santarém, enviadas para levar à feito a implantação da “Operação Tapajós”, durante o Regime Militar.

Construção da Rodovia Santarém-Curuá-Una



Trecho da rodovia que liga a cidade de Santarém à hidroelétrica de Curuá-Uma, próximo da comunidade de Santa Rosa, quando do período de sua construção na segunda metade da década de 1960.

Grupo Escolar Frei Ambrósio em fins da década de 1960



Trecho do então Grupo Escolar Frei Ambrósio, no final da década de 1960, após reforma efetuada pelo governo do Estado do Pará.

Sobre um tremor de terra em Santarém – 1885


Diversas pessoas vindas do Urucurituba nos dizem ter-se lá ouvido, às 6 horas da manhã do dia 4, fortes estampidos semelhantes ao troar de um canhão monstro e tremer ligeiramente a terra por alguns instantes, repetindo-se isto por vezes, no espaço de uma hora.
Em muitas casas desta cidade se nos disse ter-se também sentido tremer a terra, chocalhando-se os vidros e batendo-se as portas, inclinando-se os móveis.
No coro da Igreja Matriz, três pessoas que lá se achavam, também sentiram o tremor, ficando estonteadas e vendo o órgão abalar-se claramente.

sábado, 4 de abril de 2020

Os franciscanos e a Educação em Santarém – 1958


Esforço educacional dos padres franciscanos no Estado do Pará. A Prelazia de Santarém pertence aos padres franciscanos desde 1903. Era a maior do mundo com seus 794.313 km quadrados. Atualmente está dividida em 14 paróquias. Mantém 53 escolas primárias frequentadas por 3.160 alunos; 4 escolas secundárias com 472 alunos; 1 Escola Profissional; 2 orfanatos para meninas; 4 jardins de infância com 230 crianças e 8 Bibliotecas públicas. Depois vem os ignorantes e maliciosos dizendo com a boca cheia que os frades não fazem nada, que são atrasados e outras bobocadas. 

Um pedido de garantias pelo juiz de Óbidos – 1950


O juiz eleitoral de Óbidos acaba de pedir ao T.R.E. o envio, àquele município, da força federal, para garantir o livre exercício do voto, em vista da manifesta falta de garantias por parte do governo do Estado.
O pedido se prende ao fato de haver o governador nomeado para adjunto de promotor o sr. Jaime Castelo Branco, que já agrediu o juiz em pleno exercício de função. 

Inauguração do Colégio Álvaro Adolfo – 1966



Momento em que o Governador do Pará, Alacid Nunes e o Prefeito de Santarém, Everaldo Martins, fazem a inauguração do Colégio Álvaro Adolfo da Silveira. Acervo familiar de Everaldo Martins.

Inauguração da Praça Barão de Santarém – 1964



Nestas duas imagens podemos ver o momento da inauguração da Praça Barão de Santarém, construída na gestão do prefeito Everaldo Martins, em 1964, com a presença do então vereador Ronaldo Campos. Acervo familiar de Everaldo Martins.

Colação de Grau do Colégio São Raimundo – 1965



Grupo de alunas do Ginásio Normal São Raimundo Nonato, na colação de grau do ano de 1965, tendo o prefeito Everaldo Martins como paraninfo. Acervo familiar de Everaldo Martins.

Inauguração de Escola em Mojuí dos Caboclos



Registro da inauguração da Escola Municipal São João Batista, na comunidade de Mojuí dos Caboclos, construída na segunda gestão do prefeito Everaldo Martins. Hoje a comunidade está localizada no município de Mojuí dos Campos. Acervo familiar de Everaldo Martins.


sexta-feira, 3 de abril de 2020

Uma descrição de Alenquer em 1907


Há mesmo uma cidade que, sem disputar a primazia de Belém, poderá ser um centro riquíssimo de trabalho e produção: é a cidade de Alenquer, situada à margem de um dos furos do Amazonas, à esquerda. Fica justamente na extrema dos “Campos Gerais”, que daí se estendem até as Guianas. As matas ali se prestam perfeitamente à cultura de cereais, e os campos já são aproveitados para a criação. O gado se multiplica rapidamente. Nenhum outro ponto do vale do Amazonas é mais salubre, nem de mais futuro.

Santo Antônio de Alenquer e a enchente de 1953


Está ameaçada a Festa de Santo Antônio, padroeiro da cidade (de Alenquer), em virtude da enchente do Amazonas. A tradicional festa religiosa, que tem início a primeiro de junho e vai até o dia 13, atrai romeiros de Monte Alegre, Santarém, Óbidos, Oriximiná e Terra Santa, além de ser considerada a maior concentração de povo do Baixo Amazonas. A população está orando, pedindo a Deus que faça as águas baixarem. 

Sobre o prefeito Aricine Andrade, de Alenquer – 1947


Está em Belém, desde alguns dias, uma das figuras mais expressivas mais idealistas e cativantes do PSD, no Pará: Aricine Andrade.
Conhecemo-lo ontem, digamos assim, porque do mês derradeiro do ano passado data a primeira vez que nos encontramos. Foi quando a “Caravana da Vitória” sulcou o Rio Mar em busca dos leais caboclos, inteligentes e honestos, que lhe habitam as margens.
Em Alenquer formos encontrar um dos mais curiosos fenômenos sociais sócio-políticos que nos foi dado observar entre os municípios que percorremos: identificação quase absoluta de sua população com seu governante. E é preciso notar: estivemos frente a prefeitos estimados com exaltação por seus munícipes, como os Araújos de Óbidos e Santarém, por exemplo.

Notícias de Alenquer em 1883


Da vila de Alenquer acabamos de ter notícia por um próprio que dali veio, de que o estado sanitário em geral, era o mais satisfatório possível.
A comissão censitária, da qual é presidente o sr. A. F. Simões, recebeu, mandada pelo governo, a quantia de 1:500$000 (um conto e quinhentos mil réis) – para ser distribuída pelos que coadjuvaram os trabalhos do recenseamento da população.

Alenquer e Paulo Maranhão – 1947


O nosso correspondente em Alenquer transmitiu-nos os resultados das apurações ali feitas, por onde se observa que o major Moura Carvalho obteve 1.262 votos contra 438 dados ao sr. Zacarias Assunção. Na votação para senador, o dr. Augusto Meira recebeu 1.232 votos contra 10 dados ao sr. Paulo Maranhão. O mais expressivo é a abstenção deliberada dos eleitores das “Oposições Coligadas”, que se negaram a depositar na urna as chapas com o nome sinistro do famigerado Maranhão, votando em branco, para senador, 501 eleitores.

A enchente de 1953 e as casas que ruíram em Alenquer


Ruíram mais três casas nesta cidade, estando entre elas as das senhoras Virgilia Marques e Manuela Tavares, esta no bairro de Loanda, que é o mais alto de Alenquer. A casa “Virgem de Nazaré”, de propriedade do grande negociante Euclides Cabral, está começando a ceder, obrigando a transferência da família e das mercadorias para outros lugares. 

A estrada de Alenquer para os Campos Gerais e Alto Curuá – 1891


No dia 21 de janeiro foi solenemente inaugurado o serviço da grande estrada da cidade aos Campos Gerais e Alto Curuá, serviço que vai sendo feito por subscrição popular. Dirige os trabalhos o hábil agrimensor sr. Lourenço Couto, que com patriotismo e desinteresse associou-se a esse grande melhoramento, de magno alcance para o futuro daquela prospera cidade. Até o dia 31 de janeiro já estavam prontos 15 quilômetros de estrada adotada para passagem de carros, etc.

Primeiro juiz da Comarca de Alenquer – 1891


A população da bela cidade de Alenquer recebeu com brilhantes festas o primeiro juiz de direito daquela nova comarca, dr. Affonso Barbosa da Cunha Moreira, que ali chegou no dia 1º de fevereiro do corrente.
Recebido a bordo do paquete por grande número de cavalheiros e comissões do Partido Republicano, Intendência e outras, o ilustre magistrado e sua exma. Família desembarcaram cercados de todas as provas de consideração.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Óbidos vista do rio Amazonas em 1936



Paisagem da cidade de Óbidos, como se apresentava a cidade para um viajante que a ela chegasse, navegando pelo rio Amazonas, no ano de 1936.

Orla fluvial de Óbidos na década de 1940



Trecho da orla fluvial de Óbidos, como se apresentava a quem estivesse em uma embarcação atracada no porto da cidade na década de 1940.

Um elogio aos vencedores da revolta de 1932


O Ministro da Marinha, em nome do chefe do governo, elogiou nominalmente o capitão de fragata Alberto Lemos Bastos, capitão de corveta Alfredo Miranda Rodrigues, capitães tenentes Antonio Pojucan e Jeorge Ferreira Bondim, assim como os suboficiais, inferiores e praças sob suas ordens, os quais comandaram e tripularam os navios mercantes requisitados para o serviço militar e armados de metralhadoras, atacando e pondo a pique dois navios mercantes armados com 4 canhões de 75, tripulados pela guarnição revoltada de Óbidos, quando subiam o rio Amazonas, em frente a Itacoatiara.

Sobre a batalha fluvial de 1924


Nas proximidades do Forte de Óbidos, os revoltosos, armando em guerra o vapor fluvial “Cary”, que conduzia perto de 400 homens, atiraram-se com verdadeira loucura contra os destroyers “Sergipe” e “Mato Grosso”, que foram obrigados a repelir o ataque, metendo o navio rebelde a pique com 5 disparos. Salvaram-se os revoltosos que foi possível recolher a bordo.

A fortificação da Serra da Escama – 1907


O sr. marechal Hermes da Fonseca, Ministro da Guerra, resolveu mandar preparar a Fortificação de Óbidos, no Estado do Pará, designando o major Manoel Luiz de Mello Nunes, para desempenhar essa comissão.
Para esse fim foi contratada uma lancha automóvel.
A Fortificação de Óbidos será dotada de dois canhões Krupps de 0m,15 e oito obuzeiros de calibre 0m,28.

A um benemérito farmacêutico de Óbidos – 1927


Transcorreu ontem (5 de março), a data natalícia do distinto tenente farmacêutico Benjamin d’Acampora que, pelas suas elevadas qualidades de espírito e de coração é justamente estimado no seio de nossa sociedade.
Esse ilustre oficial, que embarcará talvez no primeiro vapor do Lloyd, para Manaus, leva enorme folha de serviços prestados à nossa população, inclusive o de ter evitado que a varíola se propagasse em Óbidos.

Sobre a Fortaleza de Óbidos em 1915


O grande Amazonas, o cuidado de fortificação do seu mais estreito passo – Óbidos, e que no passado regimen, apesar de defendido, não obstou que dois pequenos vapores peruanos zombassem dos nossos canhões, permanece, por incúria da República, no mesmo lamentável estado de perfeita carência de defesa.
A fortaleza de Óbidos, que Mallet sonhou tornar uma obra de real valor, nada vale atualmente e não serão os seus antiquados e mal localizados canhões que barrarão a entrada do grande rio.

A situação do Batalhão de Óbidos – 1913


Para satisfazer-se interesses da oligarquia dos Lemos, o 4º Batalhão de Artilharia, que estacionava em Belém, foi transferido para Óbidos, onde não há um quartel habitável, mas um velho forte em ruínas, sem acomodações.
Esse batalhão devia ter a seguinte oficialidade: um coronel, um major, três capitães, dois primeiros tenentes, quatro segundos tenentes, um médico e um farmacêutico: isso, no mínimo.

Sobre Epidemias em Santarém (parte final)

Por Sidney Augusto Canto

Em 1850 uma grande epidemia de febre amarela se manifestou em Belém. Sabedores das notícias vindas da capital, o povo se voltou para a fé no santo padroeiro católico contra as pestes: São Sebastião, bem como aos tiros dados pelos canhões. De algum modo, talvez pela falta do vetor da doença (o mosquito Aedes Aegypti), a doença não chegou à Santarém e a cidade se viu agradecida a São Sebastião, sem, contudo, lhe construir a Capela prometida.
Depois de terminada a epidemia de cólera, a febre amarela chegou entre os santarenos, manifestando-se com frequência nos anos seguintes. Em 1860, entretanto, a doença se manifestou de tal sorte que flagelou a muitas pessoas na cidade. Em seu relatório de 15 de agosto de 1860, o presidente da Província, Angelo Thomaz do Amaral, assim se manifesta sobre a epidemia:

terça-feira, 24 de março de 2020

Sobre Epidemias em Santarém (parte 02)


Por Sidney Augusto Canto

O século XIX não foi um século de muitas melhorias na saúde pública. Epidemias de doenças como a varíola, cólera e febre amarela, malária, lepra, etc. continuavam assolando o Grão-Pará, incluindo a cidade de Santarém.
A varíola, também conhecida popularmente como bexiga, causada por um vírus, foi responsável pela mortandade de grande número de pessoas na Amazônia. Diz Arthur Vianna (foto abaixo) que no início da Cabanagem (1835), uma epidemia de varíola grassou na Capital e no interior da Província deixando-a reduzida a uma situação muito precária.

Sobre Epidemias em Santarém (parte 01)


Por Sidney Augusto Canto

Nestes dias de quarentena, por conta do “corona vírus”, aproveito para fazer um breve relato de algumas coisas do passado que, muitas vezes, deixamos de aprender, fazendo com que a histeria dê lugar à prevenção, e que nossos governos deixem de investir na saúde e na educação para tratar apenas da economia, deixando a própria economia à mercê das constantes epidemias que nos afetam.

Magalhães Barata e uma história de Monte Alegre


Disse-nos inicialmente o Cel. Barata:
“Minha principal preocupação é dificultar a permanência de colonos nas cidades, extinção da continuação do latifúndio, sendo o Pará e o Amazonas os únicos Estados que podem se orgulhar por serem os únicos onde não existe o trabalho rural de “meias” (termo caboclo). Por isso, não vemos, paraenses e amazonenses, a não ser da classe média, pelo Sul. Os paupérrimos ou lavradores são persuadidos a não deixarem a terra. O Instituto Agronômico do Norte, tendo à frente o sr. Felisberto Camargo, infelizmente não tem podido fazer muito porque a ignorância ainda não foi vencida. Narremos aqui uma história absolutamente verídica passada em Monte Alegre, no Pará:

segunda-feira, 23 de março de 2020

Momento Poético: Carta


Por Rui Guilherme Barata

Chico, não é o poema que me traz aqui neste momento.
Não é o poema, Chico, é este cansaço, este medo de ter tantos caminhos,
Tantos e tão poucos satisfazem.

Não é o poema, Chico, é este desejo de contigo sair por estas velhas ruas,
Velhas ruas onde há muito envelhecemos,
Porque – sabes, Chico? – vazio é o nosso olhar de todas as promessas
E nossas almas teem para mais de mil e tantos anos.

Vamos, Chico, não me negues a graça da presença.
Se eu te pedir a lua, por favor, vai correndo buscar,
Se eu te pedir a estrela, manda a empregada comprar,
Se eu desejar a morte. – Por que me fazer esperar?

Algumas descobertas da Missão Rondon – 1929


O general Rondon, presentemente em Óbidos, transmitiu ao sr. Mário Mello, no Recife, o seguinte Radio-telegrama:
Descobrimos e identificamos a única linha das fronteiras que se mantinha desconhecida e ignorada no Brasil e dos brasileiros. Pelo caminho que trilhamos encontramos vestígios arqueológicos de povos primitivos, que foram deixando nas pedras e nos lajedos das cachoeiras gravuras esculpidas em granito, a golpes de pedra sobre pedra.

O embargo das sementes para Fordlândia


O governo do Estado [do Amazonas], sob o fundamento de que a lei proíbe a exportação de sementes de seringueira, negou licença para a saída do território amazonense de grande quantidade daquelas sementes, destinadas às plantações do sr. Henry Ford, no Tapajós.
A primeira partida embargada pelo fisco estadual consiste em 14 caixas de sementes e 10 amarrados e mudas de hevea.

Igreja Matriz de Santo Antônio de Alenquer



Vista da Igreja Matriz de Santo Antônio, da cidade de Alenquer como se apresentava ao olhar nesta fotografia do início da década de 1950.

Busto do fundador de Itaituba



Busto em homenagem ao tenente coronel Joaquim Caetano Corrêa, considerado fundador de Itaituba. Foto publicada no Álbum do Pará em 1939.


Grupo Escolar de Oriximiná



Imagem do Grupo Escolar, principal escola de Oriximiná no início do século XX. Foto publicada no Álbum do Pará em 1939.


Grupo Escolar de Monte Alegre



Assim se apresentava o antigo Grupo Escolar da cidade de Monte Alegre na década de 1930. Foto publicada no Álbum do Pará em 1939.

Notícias da Câmara Municipal de Vila Franca – 1868


Tendo me esta Camara representado sobre o estado de ruina da velha Igreja que servia de Matriz, e a necessidade de concluir-se as obras da que está projectada, autorisei a repartição de Obras Publicas a mandar examinar o estado d’essa obra, e apresentar o respectivo orçamento para a conclusão da dita Igreja.
Tendo-se suscitado um conflicto entre as Camaras de Villa Franca e Obidos, sobre os seus respectivos limites do Lago Grande, declarei-lhes que competia á cada uma d’ellas uma margem do referido lago, sendo que a direita pertence á Villa Franca, e a esquerda á Obidos, á qual pertencem conseguintemente os lugares Preguiça e Marimary, situados na ilha que tambem lhe pertence.

Notícias da Câmara Municipal de Alenquer – 1868


Segundo consta da representação feita pela Camara Municipal dessa villa, é de indeclinavel necessidade autorisar-se:
1.º Conclusão das obras da matriz, paralisadas ha mais de dous annos, com o risco de estragar-se a parte já feita.
2.º Construcção de uma cadeia, assim como de uma capella no cemiterio.
A falta de uma linha de vapores que toque pelo menos uma vez, no porto, dessa villa, é urna necessidade por demais palpitante, e que já foi reconhecida pela Assembléa Provincial do anno passado, a qual autorisou-me a contractar essa linha, mas não fixou para esse fim subvenção sufficiente. 

Notícias do Forte de Santarém em 1868


Nesta Cidade se acha o capitão de engenheiros Luiz Antonio de Souza Pitanga encarregado de dirigir a construcção da fortificação que ali mandou o Governo Imperial edificar.
Estão em andamento regular as obras dessa fortificação existindo, já realizada boa parte de alvenaria e algum trabalho de aterro e nivelamento.
Tem-se gasto com as obras dessa fortificação 11:273$120 réis. 

Notícias do Forte de Óbidos em 1868


Tem-se feito n’esse Forte algumas obras, como concluir a platafórma no alto da colina, tendo sido preciso empregar tijolo por não haver cantaria, reparar o emboço e reboco de todo o parapeito. Fechou-se o Forte com duas cortinas de Leste e Oeste, comportando banquetas na parte interior para defeza d’ellas, a do lado d’Oeste tem extensão menor á que devia ter, para não embaraçar o transito.
Além da substituição de maior diametro nas seis carretas de marinha, foi preciso alterar o restante das mesmas. 

domingo, 22 de março de 2020

Sobre as Alfandegas de Cametá e Santarém – 1868


Como complemento da livre navegação do Amazonas e seus principaes affluentes, baixou o Decreto nº. 3920 de 31 de Julho de 1867, creando alfandegas nas Cidades de Cametá, Santarém, Manáos, São Paulo de Olivença, e Borba, e sendo-me recommendado pelo Ministerio da Fazenda em Aviso de 14 de Janeiro do corrente anno, que procedesse, em execução ao mesmo Decreto, á nomeação provisoria dos empregados que tinhão de compor o pessoal das duas alfandegas criadas nesta Provincia e desse providencias no sentido de serem logo creadas effectivamente essas duas alfandegas, expedi em data de 5 de Março ultimo as seguintes instrucções para essas alfandegas, e nomeei no dia seguinte os respectivos empregados que constão do quadro annexo sob nº. 17.

sábado, 21 de março de 2020

Ataques indígenas na região – 1877


Os índios que assaltaram os mocambos do rio Curuá, e mataram grande número de quilombolas, passaram, em seu regresso às campinas, no dia 27 de novembro pelo sítio Coruçá, de propriedade do sr. capitão Paulo José Lopes Christo, no rio Cupary, distrito de Aveiros.
Pressentidos pelos moradores do sítio e acossados pelos seus cães, internaram-se nas matas e desapareceram, sem causarem os estragos e devastações que assinalam sua passagem. 

A morte do agente consular português em Santarém – 1876


Na cidade de Santarém faleceu o negociante português José Francisco Ferreira que por muito tempo exerceu o lugar de agente consular de Portugal.
De 78 anos que contava 50 tinham se passado no Brasil.
Deixou livres 40 escravos e legou-lhes ainda o usufruto de um sítio, terras e plantações em Ituqui. Deixou também doze contos de réis a uma irmã que tem em Portugal e valiosos legados a estabelecimentos pios daquele reino, e à Casa de Misericórdia e Colégio do Amparo da capital da Província em que faleceu. 

Notícia sobre a Comarca de Óbidos – 1868


Criada pela lei provincial n. º 520 de 23 de Setembro de 1867, foi ella por Decreto n.° 4047 de 21 de Dezembro do mesmo anno declarada de 2ª. entrancia pelo Governo Imperial, que para ali removeo o Juiz de Direito da de Parentins, o Doutor Marcos Antonio Rodrigues de Souza, que tomou posse a 16 de Fevereiro do corrente anno.
O Decreto 4048 marcou 800$000 réis de ordenado ao Promotor publico de Obidos.

Notícias de Monte Alegre – 1872


As necessidades mais urgentes d'esse municipio e para as quaes a respectiva camara pede providencias, são:
1ª. Calçamento da estrada que parte d'aquella villa para o porto da mesma.
2ª. Construcção de urna ponte sobre o rio Ereré. 

Inauguração de monumento em Arapixuna



Para comemorar o centenário de inauguração da Igreja Matriz de Santa Ana, na Vila de Arapixuna, em Santarém, um monumento foi erigido na praça ao lado da referida matriz, sendo inaugurada por Dom Tiago Ryan, no ano de 1980.