quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Sobre o Curso Normal Rural do Colégio Santa Clara

Pela Instrução na Terra Natal

Quando, em nosso anterior escrito submetido ao título supra, fizemos sentir não haver entre nós senão estabelecimentos de ensino primário, não deixou de nos ocorrer à lembrança a existência do Curso Normal Rural há bem pouco instalado no Colégio Santa Clara, mercê da boa vontade do Governo Paraense. Muito a propósito não nos referimos a esse novo curso de ensino especial, porque nosso intento era ocupar-nos dele em artigo a parte, o que ora fazemos prazenteiramente.

Equiparado ao Curso Normal Rural recentemente criado na capital do nosso Estado, numa clara visão de facilitar à pobreza a consecução de um diploma que lhe ofereça ensanchas de ganhar honestamente o pão cotidiano, prestando ao mesmo tempo real serviço à infância do interior, na sua maioria desamparada e cega de luzes – o nosso Curso Normal Rural está fadado a concorrer eficazmente para o desenvolvimento da Instrução em nossa terra, contribuindo dess’arte, para o seu engrandecimento.

Meia passagem para estudantes em 1934

A fim de beneficiar a classe estudantil a empresa de viação urbana, por meio de auto-ônibus, acaba de reduzir à metade o valor das passagens nos seus veículos para todas as crianças que se destinem diariamente aos estabelecimentos de ensino ou deles deem saída.

Para maior facilidade dos estudantes, a empresa exporá à venda, em uma casa comercial, coleções de bilhetes em número de dez.

Mudanças na Escola da Sociedade Artística

Comunicou-nos a senhorita Thecla Tapajós Nogueira ter deixado a regência da Escola “Moraes Sarmento”, com sede na Sociedade Artística, que passou a ser regida pela professora efetiva, senhorita Antonieta Teixeira.

O início das aulas do Grupo Escolar de Santarém em 1933

GRUPO ESCOLAR – A diretoria pede-nos avisemos aos pais ou responsáveis pelos alunos deste estabelecimento, que as aulas começam pela manhã às oito horas e à tarde as duas horas, devendo os alunos ali chegarem antes 15 minutos antes desta hora e não como está sucedendo, pois chegam muito cedo quando ainda não é preciso, e não podem ser fiscalizados como é necessário. Ficam assim todos avisados e é favor atenderem a este justo pedido, no interesse geral.

As primeiras aulas da Escola de Comércio – 1948

Encerram-se no dia 26 do corrente mês (fevereiro), as matrículas do curso fundamental da Escola Técnica de Comércio, com o elevado número de 65 alunos. No próximo dia 01 de março terão início as aulas, em uma das dependências do prédio onde funciona a Cooperativa Agrícola. As aulas serão noturnas, para facilitar a frequência aos alunos comerciários, começando às 19 horas e terminando às 21 horas – A DIRETORIA.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Vitórias Régias em Santarém na década de 1930

 


Vista de algumas Vitórias Régias no lugar denominado São Paulo, região de várzea do Aritapera, em Santarém, nos anos 1930. Foto do acervo familiar de Miguel A. L. Reça.

Igreja da Santíssima Trindade em Aritapera

 


Vista da antiga capela da Santíssima Trindade, na comunidade de Aritapera, em Santarém, nos anos de 1930. Foto do acervo familiar de Miguel A. L. Reça.

A ponte do antigo Trapiche Municipal

 


Grupo de Santarenos posando para uma fotografia na ponte do antigo Trapiche Municipal de Santarém, na década de 1930 Ao fundo pode-se ver o casario típico da antiga Rua João Pessoa e o “Morro da Fortaleza”, com o antigo Grupo Escolar. Foto do acervo familiar de Miguel A. L. Reça.

Festa da Santíssima Trindade em Aritapera

 


Momento em que se fez registro de uma festividade religiosa na Capela da Santíssima Trindade, em Aritapera, município de Santarém, na década de 1930. Foto do acervo familiar de Miguel A. L. Reça.

Fantasias carnavalescas dos anos de 1930 em Santarém

 


A foliã das duas fotografias é a senhorita Rosilda Hennington Malheiros (depois Fonseca), fantasiada para os bailes e desfiles de Carnaval da Santarém dos anos 1930. Fotografias do acervo familiar do seu filho, Vicente Malheiros da Fonseca, que as enviou para publicação no blog.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Memórias do Carnaval em Santarém: Rei Momo no “Theatro Victoria”

 


Imagem do momento em que o Rei Momo do carnaval santareno, (representado por Weimar Reça), faz a sua entrada e discurso no interior do “Theatro Victoria”, durante uma quadra carnavalesca da década de 1930. Foto do acervo familiar de Miguel A. L. Reça.

Memórias do Carnaval em Santarém: Foliãs do “Garantido a Voga”

 


Nestas três fotografias podemos ver um grupo de foliãs do bloco “Garantido a Voga”, posando em alguns pontos da orla da cidade, onde ocorria o “Desfile Carnavalesco” no final da década de 1930 (ou início dos anos 1940). Sobre estes antigos carnavais, o texto de memórias de Lycia (Lilita) e Rosa (Rosita) Irene Campos Reça, recolhidas por Miguel A. L. Reça, que diz o seguinte:

“(...) as marchinhas do nosso bloco, o “Garantido a voga”, eram compastas e ensaiadas com bastante véspera pelo jovem WILSON DIAS DA FONSECA (o Isoca), no meio da semana haviam dois “assaltos” surpresa seguidos nas casas. Muitas vezes os donos das respectivas casas não gostavam, já outros se divertiam com muita alegria aos assaltos, ressaltando que, sempre escolhiam uma casa de um dos componentes do bloco ou de um conhecido. O desfile começava às 16h, indo até as 19h (da noite). Às 18h saltava-se do carro e brincava-se a valer juntamente com outras pessoas que acompanhavam tal desfile (...)”.

Memórias do Carnaval em Santarém: Blocos carnavalescos

 


As duas fotos que ilustram esta postagem (acima e abaixo) nos mostram alguns blocos fantasiados que se organizavam para os carnavais da década de 1930. Sobre estes antigos carnavais, o texto de memórias de Lycia (Lilita) e Rosa (Rosita) Irene Campos Reça, recolhidas por Miguel A. L. Reça, que diz o seguinte:

“(...) o senhor Ildefonso Almeida, juntamente com os pais das moças de mais condições, que compunham tais blocos, contratavam o JAZZ do Agostinho Fonseca, que ficava no Trapiche, e a do senhor Raimundo Fona, que ficava nas escadarias da Francisco Corrêa com a antiga rua João Pessoa (hoje Lameira Bitencourt), com desfiles de algumas alegorias da época (...). Os blocos desfilavam pelas ruas de nossa cidade com aquela felicidade simples, sem maldades (...)”.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Uma crônica do carnaval santareno em 1944

Momo e Zé Pereira gostaram este ano de Santarém. E assim é que “com dinheiro ou sem dinheiro”, lá foram eles rodopiar nas “cobrinhas” e saltar nos sambas.

A chuva sempre pelo meio, querendo “empastelar”, como diz o escrivão José Matos.

Notamos que as mulheres estavam mais animadas que os homens; principalmente a Aurora, a Helena e a Amélia...

As despedidas de Momo em 1933

Prepara-se a mocidade e a “madureza” frequentadoras dos salões “Euterpe” para fazer as suas despedidas ao deus da Folia, o Momo de todas as épocas. Assim é que, para coroar de maior êxito a série de bailes que ali se vem realizando, terão os concorrentes às festas “euterpeanas” ensejo de tomar parte em mais duas retumbantes partidas à fantasia: às noites de domingo e segunda-feira.

Esses bailes, que se auspiciam deslumbrantes, muito interesse vem despertando entre os “habituées” do “Euterpe”, estando em preparativos a organização de vários grupos e blocos, cada qual primando em se exibir mais garrido e elegante.

Festas carnavalescas do Centro Recreativo – 1948

De conformidade com a deliberação da Diretoria, foram designados os dias 17, 24 e 31 de janeiro corrente, 06 e 10 de fevereiro vindouro, para a realização das festas carnavalescas, sendo mensais a primeira e a última, e extras as demais.

Camisas de maia, swing e balangandan não serão admitidas como fantasia, ficando vedada a entrada do sócio que se apresentar com os referidos trajes.

O Carnaval do “Clube dos Aliados”

A juventude santarena vai hoje e amanhã a noite ver o maior improviso da quadra carnavalesca. Palavras certas e admiradas do esforçado presidente, chama a atenção do povo santareno para que não deixe de assistir as três partidas carnavalescas que o rancho do “Clube dos Aliados” oferece aos seus amigos e admiradores no conhecido TEATRO VITORIA.

Terça-feira, 06 de fevereiro, o grande desfile pela cidade mocoronga apresentando a linda jovem Marina Jaty, Rainha do Clube dos Aliados.

Carnaval em Santarém em 1979

Apesar de toda a chuva que caiu na noite do sábado passado, o Centro Recreativo levou um carnaval quente. Os foliões incansáveis vibraram com a ideia de não haver intervalo. Os Hippies tocaram sem parar até as três da manhã. A única pausa foi para apresentar as jovens candidatas ao título de Rainha do Carnaval de Clube. De parabéns a iniciativa da diretoria.

Neste sábado, o Iate Clube fará a escolha do casal mais animado, durante o Baile dos Piratas. As fantasias devem caracterizar a noite. Não esqueçam!

Memórias do Carnaval em Santarém: uma fantasia da “Justiça”

 


A foto acima ilustra uma fantasia do primeiro desfile de carnaval de rua em Santarém, cuja destaque é a jovem “Lilita” Reça. Este desfile foi promovido pelo então prefeito municipal, Ildefonso Almeida, no ano de 1932. O texto de memórias de Lycia (Lilita) e Rosa (Rosita) Irene Campos Reça, recolhidas por Miguel A. L. Reça, que diz o seguinte:

“Meu pai havia dado a sua palavra, pela qual eu iria desfilar fantasiada de “JUSTIÇA”. Meu pai mandou buscar fora, do Rio de Janeiro, o pano e a balança de prata da Justiça. Eu estava com raiva, pois não queria desfilar, mas meu pai já havia dado sua palavra. O prefeito Ildefonso Almeida mandava enfeitar as ruas da frente de nossa cidade, ou seja, do início da escadaria do Trapiche Municipal, as muradas do mesmo, os postes de luz, as esquinas ornamentadas com PIRIRI, enfeite confeccionado de palha. Um carro era alugado (e enfeitado) percorria as ruas da nossa cidade até onde aconteciam os grandes bailes de carnaval, com batalhas de confete e serpentina”.

Memórias do Carnaval em Santarém: grupo de Colombinas

 


A foto acima ilustra um dos grupos de jovens santarenas fantasiadas para o carnaval dos anos de 1930. Faziam parte do bloco “Garantido a Voga”. Sobre estes antigos carnavais, o texto de memórias de Lycia (Lilita) e Rosa (Rosita) Irene Campos Reça, recolhidas por Miguel A. L. Reça, que diz o seguinte:

“Tais festas também eram patrocinadas pelos pais das moças, componentes dos dois blocos que, durante décadas consecutivas, alegravam os carnavais de rua e de clubes (...), eu, juntamente com minha irmã Rosita, minhas primas Ivone Braga, Ana (Anita) de Oliveira Campos, as irmãs Maria e Nair Braga, Elza e Neide Blanco, entre outras jovens, muitas vezes crianças, que participavam de um Bloco por nome GARANTIDO A VOGA, que significava garantido o charme. Eu, juntamente com minha irmã Rosita, éramos umas das fundadoras de tal Bloco. Nosso Bloco, por diversos anos consecutivos, foi o ganhador das festas no RECREATIVO, festas finíssimas e do mais algo gabarito, do qual só participavam “filhos de família” (...)”.