quarta-feira, 19 de abril de 2017

Costumes indígenas no Baixo Amazonas e Tapajós: Construções e moradias.



Algumas tribos errantes não construíam mais do que simples malocas ou abrigos provisórios onde moravam. As malocas mais elaboradas eram vistas em aldeias fixas, onde os índios já se dedicavam à agricultura. Em si, todos viviam em malocas sem divisões. Pais, filhos, avós, tios, sobrinhos, primos, enfim, toda uma grande família cabia dentro de uma maloca. Além dos utensílios de caça, pesca, roçado e guerra havia a rede. Isso escandalizava os portugueses que não eram acostumados com essa falta de privacidade. Mendonça Furtado tentou impor à força, por meio do “Diretório” que as casas dos índios fossem feitas à moda dos brancos. Uma coisa, entretanto é comum até hoje: o uso da palha como material principal das casas indígenas típicas da região.


Há pouco tinham vindo ter a esse lugar, atraídos por um ribeirão piscoso, e levantado um grande rancho coberto de sapé, onde moravam em comum, embora fossem nada menos de 80, entre homens, mulheres e crianças. Também as redes em que dormiam eram suspensas umas em cima das outras, e as havia em tal quantidade que a custo se caminhava no interior do rancho”. (Hercule Florence, sobre os Apiacás).

Como as mais choupanas de mundurucus e, aliás, as casas de pobres em todo o Brasil, essa era construída de paus-a-pique colocados juntinhos uns aos outros com um trançado horizontal de tiras de palmeiras ou taquaras amarradas com cipós, grade que, tapada com terra amassada n´água, forma muros e tapumes perfeitamente fechados. Fácil é, porém, conceber a pouca duração de tudo aquilo pelo que depressa se formam buracos e inúmeros interstícios, em que aninham múltiplos e nojentos insetos. A coberta é feita de sapé ou folhas de palmeira”. (Hercule Florence, sobre os Mundurucus).

A maioria das casas são choças de forma cônica, com paredes feitas de paus trançados e barros, e cobertas com folhas de palmeira, chegando os seus beirais quase ao chão. Algumas são quadradas, não diferindo sua estrutura das casas de colonos semicivilizados de outros lugares; outras não passam de ranchos abertos. De modo geral parecem abrigar apenas uma ou duas famílias”. (Henry Bates, sobre os Mundurucus).

Observa-se que a maloca (aldeia) onde habitam é guarnecida de uma forte estacada construída de grossos madeiros a pique e isto explica porque tanto confiam em si próprios para poder repelir com vantagem qualquer agressão do inimigo, especialmente os Parintintins com quem vivem em guerra aberta e constante”. (R. L. Tavares, sobre os Mundurucus do rio Tapajós).

No centro da maloca encontra-se o ekça ou o quartel dos guerreiros.
O ekça consiste em uma longa casa, de cerca de cem metros de comprimento, coberta de palha, e em toda a sua extensão aberta para o nascente. Nesta situação está perfeitamente ventilada, e isenta da invasão dos carapanãs e de outros mosquitos insuportáveis, que constituem o suplício dos que vivem no meio das matas ou à margem dos rios. Os raios do sol ao nascer penetram livremente e debelam o frio da madrugada, que ai é muito intenso. No ekça moram somente os homens válidos, os guerreiros e seus filhos maiores de oito anos.
Cada guerreiro arma no ekçá sua rede no lugar que bem lhe parece.
No terreiro, também para o nascente estão três linhas de esteios unido por travessas, onde os guerreiros armam suas redes nas belas noites de verão.
Suspenso ao teto do ekça, sobre a rede tem o guerreiro à mão tudo quanto possue – arcos, flechas, tacape e buzinas.
Todos dormem em redes tecidas de fio de algodão e tão pequenas que é preciso estar imóvel para não cair no chão.
O algodão é plantado pela índia: o fio e a rede por ela fabricados.
No ekça, por entre as redes dos guerreiros, ardem muitas fogueiras durante a noite.

Em torno do ekçá estão as casas das mulheres, onde também habitam as crianças de ambos os sexos, os velhos decrépitos e os doentes”. (Gonçalves Tocantins, sobre os Mundurucus do Tapajós).

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