sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A questão da saúde no rio Tapajós – 1928

Como é do domínio público o Estado do Pará fez concessão de grandes áreas de terras no Tapajós à Companhia Ford, que já deu começo à exploração dessas terras, para o plantio da seringa.
Infelizmente o estado sanitário da região não é de molde a assegurar, presentemente, a vida dos trabalhadores que, deixando outros lugares em que moirejam, se vão deixando seduzir pelas apregoadas vantagens da empresa americana.
Do nosso brilhante confrade “Folha do Norte”, da capital do Pará, extraímos as notas abaixo:


“Pelo “Jurupary”, entrando ontem à tarde, do Tapajós, tivemos notícia de que na região onde se encontram localizados os trabalhadores da empresa Ford estão grassando febres de mau caráter que obrigam a retirada do pessoal, que, além do estado precário de saúde, alega como causa de sua deserção o parco jornal que ali recebe, na importância de 3$000.
Os próprios guardas da profilaxia tem adoecido, tanto que, no “Jurupary” desceram para Monte Alegre dois desses funcionários.
No lugar Boa Vista as febres estão atacando os trabalhadores, tendo o referido “gaiola” trazido dezesseis desses homens enfermos para Santarém.
No dia 16 do corrente, quando ali passou o “Jurupary”, a sua tripulação teve ciência do falecimento de quatro trabalhadores, só nesse dia.
Soubemos também que em Boim, o surto epidêmico que ali grassava ainda continua a dizimar vidas.
Também em Monte Alegre, ao que nos informaram a bordo, apareceu agora uma febre de mau caráter, que produz a paralisia dos membros inferiores nas pessoas atacadas, tendo já se registrado naquela cidade quatorze casos fatais.
Pelo que se vê a região do Baixo Amazonas, nas adjacências do Tapajós, apresenta atualmente um estado sanitário nada lisonjeiro e que está requerendo medidas urgentes para debelar as febres que ali dominam”.


NOTA: Publicado no Jornal O Rebate, de 28 de outubro de 1928.

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