terça-feira, 9 de junho de 2020

Histórias dos Botequins de Santarém em 1924


Potó e o maestro “Zé Agostinho”
Potó, o do “Firmeza”, é zeloso por tudo quanto diz respeito ao seu botequim. Abespinha-se logo se alguém risca uma das mesas, as paredes do prédio, o pano verde do bilhar, etc.
Uma sobretarde, à hora costumeira do aperitivo para o jantar e após haver-se jogado uma partida de bilhar, foi o nosso herói fazer a limpeza do referido e ao verificar nele garatujas, caretas, notas musicais, feitas a giz, entesou logo e bradou:

– Eu logo vi! Esta obra não é doutro, senão do Zé Agostinho.
O indigitado autor das garabulhas imediatamente respondeu, zangado:
– Sim! Porque eu sou músico, você diz que foi eu. Pois eu queria ver se, achando você na rua um bolo de dinheiro enrolado em papel de música, vinha entregar-me dizendo que era meu...
O Potó fez que não ouviu.

Sobre a idade dos cigarros...
Quando Mister Geraldo era proprietário de um dos botequins locais, foi o Joaquim Cardoso ao seu estabelecimento para comprar cigarros.
Feita a compra e examinado a mercadoria, falou o comprador:
– Estes cigarros, parece que são velhos.
Mister Geraldo, com aquela sua reconhecida fleguma [sic], tirou a piteira da boca, concertou a garganta e retorquiu:
– Homem, eu não sei lhe dizer, porque não tenho certidão de idade...
O Joaquim não ouviu o resto.

NOTA: Texto extraído do jornal “A Cidade”, de 07 de junho de 1924.

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