Há dias trabalha
o pobre do Ligeiro a ver se consegue pintar os seus reclamos nos bancos da
Praça da Matriz.
A garotagem malandra,
entretanto, não lhe permite fazer cousa que preste, e, a canivete, a lápis, a
giz, a carvão, borra-lhe as pinturas, escrevendo e desenhando imoralidades de
todos os tamanhos.
Esse servicinho,
dizem, porém, não ser feitos pelos garotos de “pés-rapados”.
São seus autores
os meninos-moleques, alunos das escolas e do grupo, que sempre munidos de lápis
e de giz, (... mostram?) seus méritos de desenhistas, em todas as paredes novas
ou pintadas de novo, escrevendo e gravando palavrões, e porcarias que
envergonham até as pedras das ruas, demonstrando assim os mais torpes
instintos, aprimorados para pior pela educação que os pais não lhes sabem dar.
À polícia cumpre
descobrir os autores das patifarias que estragam o serviço do Ligeiro.
NOTA: Texto extraído
do jornal A Cidade, de 11 de outubro de 1930.
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